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Igor Janke: "debate emocional nas eleições da Polónia"

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Igor Janke: "debate emocional nas eleições da Polónia"

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Os polacos vão, este domingo, às urnas para renovar as duas câmaras do Parlamento. As eleições supõem antes de mais um duelo de titãs: de um lado, a Plataforma Cívica. Por outro, Direito e Justiça.

Igor Janke, jornalista e editor do jornal “Rzeczpospolita” e fundador de Salão 24, um portal de informação muito popular na Polónia, falou com a euronews destas duas formações e do panorama político polaco em geral.

euronews – Os polacos vão votar em partidos políticos diferentes, e ao mesmo tempo, por diferentes ideais para o país. Que escolha têm quanto ao futuro da Polónia nos próximos anos?

Igor Janke – Para ser sincero, trata-se de uma eleição muito emocional, porque as diferenças entre os dois principais partidos políticos não são assim tão grandes. O principal desacordo refere-se à reforma da Polónia de um modo mais dinâmico ou não, se há que sublinhar mais a soberania polaca, incluindo no seio da União Europeia, se o país deve ser mais autónomo na política externa, se chegou o momento de tomar decisões difíceis, por exemplo, no âmbito da economia.

euronews – Mas, precisamente, visto de fora a Polónia parece uma espécie de oásis onde se conseguiu manter uma boa situação económica. Mas porque é que a campanha eleitoral parece um combate de vida ou morte onde o adversário é apresentado como uma ameçaça à sobrevivência do país?

I.J. – Na verdade, é um combate em que se procura a morte política do adversário. A razão deste fenómeno é a origem comum dos dois campos.

Os dois adversários foram bons amigos em determinada época, agora converteram-se praticamente em inimigos, inimigos políticos, em todo o caso.

O fosso entre ambos agravou-se com a catástrofe de Smolensk. Essa catástrofe fez ressurgir, por um lado, muitas teorias da conspiração, e por outro, críticas muito sérias contra o governo.

euronews – Precisamente nesse duelo da “Plataforma cívica” contra “Direito e Justiça”, o partido de Donald Tusk descolava sempre como favorito. E de repente, nas sondagens mais recentes, vemos que Jaroslaw Kaczynski está muito perto do adversário. A que se deve a redução da margem entre os dois partidos?

I.J. – A situação de Plataforma Cívica é mais difícil, porque após quatro anos de governo, a opinião generalizada é que a equipa de Tusk não conseguiu resolver muitos problemas.

No próprio governo assumem isso, que não conseguiram fazer tudo o que tinham previsto, mas agora vão tentar fazer melhor. O que não seduz muito os eleitores. O partido “Direito e Justiça” aproveita-se disso com astúcia e faz eco de todos os fracassos do governo.

Construiu a imagem de Jaroslaw Kaczynski como alternativa, como novo líder da nação.

euronews – Sim, mas falamos sempre nos mesmos dois partidos. Onde está a esquerda polaca? O partido SLD oscila entre 6 e 8% de intenções de voto. Podemos deduzir que os polacos são de direita?

I.J. – Por um lado, a Polónia é mais conservadora do que a maioria dos países. A esquerda está nitidamente em plena crise. E isso, em parte, acontece por não haver um líder forte de esquerda. Por isso, a Plataforma Cívica apropria-se sabiamente de uma parte do eleitorado de esquerda e afunda ainda mais o SLD.