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Dupla socialista francesa: mudança contra mudança

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Dupla socialista francesa: mudança contra mudança

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Como apontavam as sondagens, François Hollande é o preferido na primeira volta das eleições primárias do partido socialista francês. Mas é uma incógnita o resultado desta campanha para a segunda volta: vai conservar o avanço e ser o rosto da esquerda nas próximas presidenciais?

Para conseguir, tem de diferenciar o discurso:

Hollande: “- Sou o candidato da mudança

Aubry: “- Na segunda volta, vou trazer mudanças de fundo”, promete a sgunda candidata, Aubry.

Na realidade é a missão que têm para suceder a Nicolas Sarkozy, mas como convencer que só um deles é capaz?

É aí que reside a dificuldade. A política não os afasta suficientemente. Por isso a imagem tem sido prioritária.

Aubry tornou-se candidato presidencial um pouco por acaso.

Hollande, ambiciona o cargo há muito tempo.

Martine Aubry prefere os atos às palavras. Não é uma grande comunicadora, pois gasta toda a energia a estudar tudo sobre os dossiês que têm nas mãos, a lembrar a experiência ministerial e autárquica que tem, assim comos as reformas que protagonizou.

François Hollande não pode vangloriar-se por experiência de poder. É nos bastidores que tem trabalhado, nomeadamente com Lionel Jospin. Atualmente, aposta na comunicação. Por isso emagreceu, inovou a comunicação gestual e as entoações, ao género François Miterrand.

Ambos os candidatos ignoravam, depois da derrota de 2007, que, cinco anos mais tarde, seriam eles a defender as cores da esquerda socialista. Ele amadureceu o projeto durante algum tempo e continua a defender ideias como respeito, correndo o risco de parecer “mole”… ela mostra-se mais agressiva.

Em relação aos programas não há muitas diferenças, há “nuances”. Uma, cola-se ao projeto oficial do partido com um discurso exaustivo muito marcado à esquerda. O outro assume-se candidato do realismo económico e repete duas prioridades: os jovens e a fiscalidade.

Sobre fiscalidade, Hollande defende uma grande reforma em profundidade, enquanto o cavalo de batalha de Aubry são os nichos fiscais.

Sobre os jovens: Hollande criou o conceito de “contrato de geração” que concede a exorneração de cotizações patronais durante cinco anos a uma empresa que empregue um jovem de menos de 30 anos.

Uma ideia que Aubry considera demasiado onerosa. Prefere defender “os empregos do futuro” – versão atualizada dos empregos para os jovens de 1997. E promete 300 mil nos próximos cinco anos.