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Dissidentes acusam embaixadas da Síria no Ocidente de intimidação

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Dissidentes acusam embaixadas da Síria no Ocidente de intimidação

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A embaixada da Síria na Bélgica é uma entre cerca de uma dezena de representações diplomáticas, na Europa e na América, acusadas de intimidarem membros da diáspora que fugiram do regime de Bashir al-Assad.

A Euronews falou com dois expatriados que participaram em manifestações de solidariedade com o movimento revolucionário e que temem pelos familiares que ficaram na Síria.

“Em frente à embaixada da Síria há uma câmara que permite seguir no interior o que se passa na rua durante as manifestações. No dia seguinte aos protestos, os nossos pais, que estão na Síria, recebem ameaças”, disse um dos militantes, que pediu anonimato.

“A embaixada tem informações sobre tudo o que se passa aqui com os cidadãos sírios. No dia seguinte às manifestações, recebemos ameaças”, explicou outro militante, que também pediu anonimato.

A Aministia Internacional recolheu mais de três dezenas destes testemunhos na Alemanha, Canadá, Chile, Espanha, EUA, França, Reino Unido e Suécia, que divulgou num relatório, no passado dia 4 de outubro.

Além das represálias sobre familiares na Síria, que passaram por alegadas detenções e torturas, alguns expatriados foram agredidos com violência quando se manifestavam em frente às embaixadas, algo negado pelos autoridades diplomáticas.

“Posso afirmar que todas estas acusações não têm qualquer fundamento e visam minar o papel das embaixadas sírias no estrangeiro, cuja missão é velar pelos interesses dos sírios que vivem no estrangeiro”, disse à Euronews Ayman Soussan, embaixador da Síria na Bélgica.

O embaixador recusou o pedido de audiência feito pela Aministia Internacional, que também tenta obter esclarecimentos por parte dos países de acolhimento dos dissidentes. A organização de defesa dos direitos humanos considera que os governos destes países devem tomar uma posição contra estas ações.

“É necessário investigar estas alegações de intimidação, e nalguns casos de brutalidade, contra os militantes que estão no exterior. Isso exige inquéritos policiais e, no caso de serem obtidas provas, passar ao julgamento destas pessoas. Caso estejam protegidas por imunidade diplomática devem ser expulsos desses países”, defende Philippe Hensmans, director do escritório da Amnistia Internacional na Bélgica.

Segundo a ONU, nos últimos sete meses, cerca de três mil civis foram mortos por participarem nas manifestações, na Síria, contra o regime de Al-Assad.