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Israel e Gaza celebram libertação dos seus presos

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Israel e Gaza celebram libertação dos seus presos

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Em cinco anos, a mobilização dos israelitas para obter a libertação de Gilad Shalit nunca esmoreceu. Tanto nos Media como na rua, a pressão foi sempre constante. Através do caso do jovem soldado, o sentimento de solidariedade abriu caminho num país em que a maioria das famílias têm pelo menos um filho no Exército.

Shlomo Aronson, alista político:

“- O rapaz converteu-se em nosso filho, de algum modo…mulheres, mães e filhos escreveram-lhe milhares de cartas durante todo o tempo em que esteve na prisão, a fotografia dele deu a volta ao país. Claro que este tipo de pressão psicológica teve um papel importante”.

A nomeação, em março passado, de um novo chefe dos serviços secretos, favorável a um acordo, foi determinante.

Netanyahu, que sempre se mostrou contrário a negociar com os terroristas também não deixou escapar esta oportunidade. Não tinha muita escolha: com o horizonte diplomático completamente bloqueado e os protestos sociais a ganhar terreno em Israel, Netanyahu precisava um sucesso assim.

Jonathan Speyer – “Provavelmente terá de enfrentar as críticas de alguns setores da sociedade israelita, mas em geral, isto vai aumentar-lhe a popularidade”.

Por enquanto, o Egipto continua a ser um parceiro disponível, embora imprevisivel o rumo da diplomacia paraa região depois das eleições previstas para 2012. Simultaneamente, a Síria está à beira do colapso e, para o Hamas, a queda de Bachar Al Assad supõe a perda de uma aliado importante.

Para o Hamas, no poder em Gaza desde 2006, este também é também um momento chave. A cada vez mais isolado internacionalmente, o movimento atravessa uma crise de popularidade sem precedentes.

Jonathan Speyer especifica:

“- O Hamas precisava desesperadamente de lucros políticos, pois tinha ficado um pouco isolado de revoltas como as da Primavera Árabe e também com os recentes avanços da Autoridade Palestiniana.”

Desde o pedido à ONU do reconhecimento do Estado Palestiniano por Abbas, que o Hamas não apoia o herói, pois é ele o chefe da Autoridade Palestiniana. O Hamas conseguiu inverter a situação.

Pelo menos provisoriamente, porque Israel não cumpriu algumas das principais exigências para libertar ao soldado Shalit, concretamente a excarceração de duas figuras simbólicas: Marwan Barghouti e Ahmed Saadat, considerados heróis nacionais por muitos palestinianos.

A população de Gaza, asfixiada pelo bloqueio israelita, esqueceu momentaneamente as condições de vida para celebrar o regresso dos primeiros presos postos em liberdade, mas é pouco provável que a euforia se prolongue e que o Hamas ganhe alguma supremacia face ao Fatah.