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Gregos deprimem mais do nunca e número de suicídios dispara

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Gregos deprimem mais do nunca e número de suicídios dispara

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Esmagada pelo peso da dívida,a economia grega afunda-se na recessão. A crise dura há quatro anos e só se vislumbram agravamentos. As travessias de barco espelham o estado do país:

Antonios Kafouros trabalha na bilheteira de um cais do ferry boat:

“- Tentamos vender bilhetes mas não podemos. Não há passageiros. Suprimimos os barcos e os que querem não chegam ao destino. Estão todos doidos.”

Apesar do cansaço e de um derrotismo crescente,a maioria silenciosa grega sente revolta. É o caso de Vassiliki Angelatou.

Depois de 24 anos como investigadora no Instituto de Exploração Geológica e Mineral, sofreu um corte salarial de 30% que vai subir para 50% com as novas medidas de austeridade.

Vassiliki Angelatou:

“- Deixamos de gastar por não saber como vai ser o dia seguinte. Não apenas por causa dos cortes, mas também por causa da incerteza, e dos anúncios diários sempre piores”.

A angústia e um grande sentimento de injustiça instalaram-se na sua família da classe média, imersa pelos novos impostos:

Vassiliki:

“- Ao cabo de tantos anos de trabalho, uma pessoa sente-se insultada. É injusto, o que está a acontecer, não apenas a nós, especificamente, mas a toda a gente. Questionamos o porquê, principalmente por não vermos nenhum resultado.”

Este pessimismo também desencadeou uma degradação na saúde mental dos gregos. A crise agravou os problemas psicológicos já existentes e gerou novos casos devido ao stress intenso provocado pelos graves problemas financeiros.

George Bouras, psicólogo no Hospital Attikon:

“- Há desempregados que têm problemas para conciliar o sono, não podem dormir, outros não conseguem comer, têm falta de motivação, sentem-se abatidos, não conseguem fazer nada, muitas pessoas cairam em depressões profundas.”

O número de suicídios disparou, conforme denunciou a revista médica britânica The Lancet.

Alexandre Kentikelenis, do Kings College, é um dos autores do estudo:

“- Tivemos acesso a relatórios do ministério da Saúde e de outros ministérios que assinalam um aumento dos suicídios de 25% em 2010 para 40% na primeira metade de 2011.”

O relatório assinala também um aumento de 50% das infeções pelo vírus do HIV, a maioria devido ao consumo de drogas.