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Suíça: mesmo os ricos receiam a crise

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Suíça: mesmo os ricos receiam a crise

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Centenas de suíços descontentes manifestaram-se em Genebra e em Zurique, na semana passada. Parece paradoxal, que neste país conhecido como paraíso de milionários e cofre-forte da fortuna de ditadores, haja contestatários. Mas os manifestantes asseguram que até na Suíça há problemas económicos para resolver, nomeadamente os que têm a ver com a autêntica ditadura dos bancos privados e o receio do desemprego.

No entanto, no meio da tempestade financeira mundial a Suíça continua em aparente calmaria.

Enquanto os vizinhos europeus enfrentam dívidas astronómicas, a de Suíça não ultrapassa 40% do PIB, contra os 80% da média na UE.

O crescimento é contínuo, e o desemprego é de apenas 3% contra os 9,5% em território da União Europeia.

O problema é que a Suíça é vítima do próprio sucesso. Este verão, a crise do franco foi manchete em todos os jornais. A moeda helvética, considerada um refúgio como o ouro, está a prejudicar mais a Confederação do que a benificiá-la.

Num só ano, o valor do franco disparou 20% em relação ao euro e 18% e face ao dólar.

Tanto os sindicatos como o Banco Central estão inquietos. A crise do franco ameaça 100 mil empregos. Para além das previsões de crescimento reavaliadas em baixa, as exportações devem cair de 7%, em 2010, para 2,6%, este ano.

O excedente comercial já tinha retrocedido 3,8% em 2010.

Os setores vinculados à exportação, principalmente os das máquinas, dos texteis e dos equipamentos elétricos, são os mais afetados. Mas não são os únicos: os pequenos produtores de queijo, por exemplo, viram as exportações cairem a pique.

A situação também não é fácil para os comerciantes. O poder de compra dos suíços não resiste aos preços mais baixos além fronteiras.

No turismo, terceiro setor económico do país, ha receios de perda de visitantes europeus. Por enquanto, o número crescente de turistas dos países emergentes compensa o resto.