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Khadafi: de amigo disputado a proscrito

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Khadafi: de amigo disputado a proscrito

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Khadafi era um amigo do Ocidente, talvez um dos amigos mais excêntricos e mais lucrativos das grandes potências, líder de um país com gás natural e petróleo. Quem não quer um amigo assim?

Apenas alguns meses antes do início da rebelião, Khadafi foi recebido em Roma com pompa e circunstância. Uma receção real vista como uma humilhação pelos partidos da oposição.

Khadafi correspondeu com a mesma amabilidade a cada uma das visitas de Silvio Berlusconi a Trípoli.

O parlamento líbio aplaudiu os dois líderes e regozijou-se com os sinais de amizade entre a antiga colónia e a metrópole.

E Paris não quis ficar atrás. Khadafi teve direito a uma tenda beduína e a uma bandeira líbia hasteada no jardim da residência destinada às visitas dos chefes de Estado estrangeiros.

Um gesto que simbolizou as boas relações entre a França e a Líbia.

Mas a época de ouro para Khadafi terminou.

Um a um, os amigos ocidentais voltaram-lhe as costas e viraram-se para os novos parceiros do novo governo liderado pelo Conselho Nacional de Transição.

“As operações militares terminarão quando já não forem necessárias. E deixarão de ser necessárias quando o senhor Khadafi e os seus apoiantes deixarem de representar uma ameaça para o povo líbio”, afirmava Nicolas Sarkozy.

Quando o mundo inteiro esperava a queda de Khadafi, Roma suspendeu o tratado de amizade entre a Itália e a Líbia.

Berlusconi procurou acautelar os interesses das empresas italianas na Líbia e iniciar relações com as novas autoridades.

“O acordo, que provavelmente será assinado na segunda-feira entre a ENI e o novo governo, disponibilizará, sem qualquer pagamento por parte da Líbia, uma substancial quantidade de gás e petróleo para uso imediato da população”, assegurou Berlusconi.

Dentro e fora da Líbia, os antigos apoiantes de Khadafi parecem ter desaparecido ou, pelo menos, ficaram em silêncio durante a revolução. No espaço de seis meses, os líbios, que suportaram agressões, torturas e o exílio, levantaram-se e forçaram a fuga de Khadafi.