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Eleições históricas na Tunísia

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Eleições históricas na Tunísia

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Os tunisinos vivem este fim de semana um momento histórico. Dez meses depois da revolução que desencadeou a primavera árabe, os tunisinos vão às urnas para eleger uma Assembleia Constitutiva encarregada de criar as bases de um novo regime.

Um salto no vazio para um povo que nunca passou por eleições livres.

A 14 de janeiro de 2011, menos de um mês depois da imolação do jovem, em Sidi Bouzid, que provocou manifestações em todo o país a exigir a demissão de Ben Ali, o presidente tunisino fugiu para a Arábia Saudita.

Depois de vários meses difíceis de transição , necessários para virar a página depois de 23 anos de ditadura, as eleições previstas, inicialmente para julho, tiveram de ser adiadas para poder completar o recenseamento eleitoral.

Outro problema que limitou a escolha dos eleitores foi a multiplicidade das listas.

No total, 1500 com 10 mil candidatos.

Seis partidos partem como favoritos.

À frente, o Ennahda, principal partido islamista, que era proibido pelo governo de Ben Ali e se evidenciou com força.

-O Partido Democrata Progressista, liberal, é o único a ser dirigido por uma mulher.

-Ettakatol liderado por Ben Jafaar, membro da Internacional Socialista.

-Ettajdid é a formação dos excomunistas que formaram a coligação do polo democrata modernista com cinco partidos.

-O CPR de Monsef Marzouki, que voltou do exílio em janeiro e haoy próximo aos ilsmaistas de Ennahda.

-E por último, o Partido Comunista dos Operários, muito popular.

Mas é Rached Ghannouchi que é alvo de toda aatenção, por causa da perseguição sofrida no tempo de Ben Ali.

Islamista, o partido Renascença assume-se como próximo do AKP turco e promete não instaurar a Sharia.

Os detractores temem a imposição de uma teocracia que iria reverter as conquistas do poder secular e os direitos das mulheres.

Outros vêem uma oportunidade de trazer ao mundo árabe uma forma moderada de islamismo, semelhante ao que aparenta a Turquia.

Das urnas vão sair 217 deputados para a Assembleia que vai redigir a nova Constituição, eleger o novo Governo interino e convocar eleições presidenciais e legislativas.

Embora a população esteja consciente da importância destas eleições, no país predomina a preocupação com o futuro: a economia entrou em recessão depois da revolução, o turismo afundou-se, inumeráveis empresas estrangeiras fecharam e a percentagem de desemprego ronda 20%, 25 % entre os jovens.

Em Sidi Bouzid, berço da revolução, a alegria e a esperança deram lugar à frustração. Muitos jovens garantem que não vão votar…no entanto o sucesso ou o fracasso destas eleições vai enviar um sinal determinante aos outros países que participaram na primavera árabe.