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ETA: Adeus às armas visto com prudência

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ETA: Adeus às armas visto com prudência

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O anúncio do fim definitivo da atividade armada da ETA não convence totalmente as famílias das vítimas que exigem a dissolução definitiva do grupo e a entrega das armas.

Uma hora depois da divulgação do comunicado, esta quinta-feira, o primeiro-ministro espanhol sublinhou que a Espanha será “uma democracia sem terrorismo, mas não sem memória”. Uma referência às mais de 800 vítimas mortais em meio século de luta armada.

Foi há dez anos que Manuel Gimenez Larraz perdeu o pai num atentado da ETA. Agora, vê o anúncio do grupo como o início do virar de uma página: “Estou feliz por saber que mais nenhuma família vai viver o que minha viveu, tal como muitas outras famílias espanholas, ao longo dos últimos anos”.

Quando questionado sobre se acredita que é o fim da ETA, a resposta é clara: “Penso que sim. Não por vontade própria da ETA mas pelo esforço de todos os espanhóis e, também, porque a ETA não deixa de ser um anacronismo numa Europa unida, uma Europa moderna na qual as ideias se defendem nos parlamentos e não com pistolas.”

Desde que foi fundada, a 31 de julho de 1959, a ETA foi responsável por 829 mortes. Nos últimos dois anos não houve atentados e, em janeiro, o grupo decretou um cessar-fogo permanente. Paralelamente assistia-se à demarcação progressiva do seu braço político e à detenção dos principais cabecilhas do grupo separatista. O anúncio do fim da atividade armada ocorre a um mês das eleições gerais espanholas.