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ETA: As famílias das vítimas

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ETA: As famílias das vítimas

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Cati Romero é viúva de uma vítima da ETA. O marido Alfonso Morcillo, foi morto no dia 15 de dezembro de 1994 em Lasarte, uma pequena cidade muito próxima de San Sebastian.

Era agente da polícia local. Morreu quando duas pessoas dispararam contra o apartamento onde vivia.

Cati Romero trabalha ativamente com o Coletivo das Vítimas de Terrorismo do País Basco.

“ Primeiro, tenho uma sensação de tristeza. Digo-lhe o que sinto. Ao contrário da maioria dos políticos, dos cidadãos, não respiro com essa enorme alegria. Eu não.

Foi uma jornalista francesa que me avisou do comunicado da ETA. Telefonou-me a dar a notícia, e claro, lembrei-me de Alfonso.

Era meu companheiro, meu amigo, uma pessoa excecional. Lembrei-me dele. Está enterrado há 16 anos.

Perguntei a mim mesma porque é que isto não aconteceu há mais de 20 anos. Tanto que se tinha evitado…

Não sei com quem tenho de me reconciliar. Não fizemos mal a ninguém. Não houve nenhuma confrontação.

Utilizam essas palavras – conflito, confrontação, reconciliação. Com quem? Alguém me pediu perdão?

Querem reescrever a história. Estão a vender-nos que houve uma confrontação, um conflito, porque houve duas fações.

Pessoalmente, só posso dizer-lhe que eu não tive conflitos com ninguém. Nem eu nem Alfonso. Se eles vêm isso é porque querem reescrever o que se passou. Espero que os cidadãos não caiam nisso”, disse Cati.

Txelui Moreno é pai de um suspeito de pertencer à ETA. Considera-se uma vítima do conflito porque o seu filho mais velho foi preso há 10 meses, a 18 de janeiro.

Iker Moreno está detido na prisão de Navalcarnero, não muito longe de Madrid.

“ O que não é justo – e é uma forma de vingança do Estado espanhol – é que enviem os presos para o mais longe possível do seu lugar de origem, e as famílias tenham de pagar com um custo económico muito elevado…

A vítima é o meu filho. Torturaram-no durante cinco dias. Sinto uma dor ao saber que os que o torturaram continuam vivos e poderão receber uma medalha pelo “Grande trabalho prestado”, quando durante cinco dias, detiveram oito pessoas encapuçadas num quarto. Entre elas, um jovem de 23 anos a quem fizeram todo o tipo de injúrias.

Isso bate muito fundo. É muito difícil”, confessou o pai de Iker Moreno.

“Hoje é um dia muito especial para as famílias das vítimas do terrorismo. Pela primeira vez vêm luz ao fundo do túnel num conflito que causou mais de quatro décadas de sofrimento”, concluiu o jornalista da Euronews Javier Villagarcia.