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Panorama partidário suíço alterou-se pouco; continua de direita com UDC

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Panorama partidário suíço alterou-se pouco; continua de direita com UDC

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O esperado resultado recorde da direita populistada UDC, nas eleições suíças, não se produziu. Depois de uma década de ascenção, o próprio partido contava passar os 30 por cento e acabou por ser um dos grandes perdedores das eleições.

Apesar de continuar a ser a formação política com mais votos, perde sete assentos parlamentares e passou pouco acima dos 25 por cento dos votos.

Um dos vice-presidentes, o polémico Cristoph Blocher culpa aos novos partidos da perda de votos:

“Se chegam novos partidos, como os verdes liberais, e os do PBD, o que acontece é que todas as formações perdem lugares. Nós não perdemos muito, continuamos a ser os mais votados na Suíça”

O retrocesso dos partidos tradicionais e o aparecimento de novos partidos ao centro marcaram a tendência destas eleições. Partidos como como o dos Verdes Liberais ou o Partido Democrata Burguês surgido das fileiras da UDC, até aos liberais radicais do PLR, passando pelos democratas cristãos do PDC, todos contribuíram para a significativa perda de lugares dos populistas.

Depois de se conhecerem os resultados, os líderes dos grandes partidos fizeram uma triste figura o que um jornal resumia de forma contundente em manchete: “Tremor de terra”

Uma convulsão que marca o fim da bipolarização da política suíça e reflete a perda de confiança da sua electorado nos partidos tradicionais.

Só os socialistas resistem já que, apesar dos votos perdidos, ganharam dois deputados. No entanto, o conjunto dos partidos de esquerda, sai debilitado: os verdes perderam sete assentos para a nova formação ecologista da direita.

O novo partido verde de direita assume a capacidade de conjugar temas tradicionalmente ecologistas com ideias próprias do liberalismo económico, como atesta Isabelle Chevalley:

“ Somos o partido do século XXI. Hoje as pessoas compreendem que a ecologia não é só um slogan de campanha que repetimos de quatro em quatro anos, mas algo que deve fazer parte da vida quotidiana. E ao mesmo tempo a população está consciente de que não se pode continuar a afundar a economia”

A incógnita agora é como os políticos suíços vão chegar a acordo para formar o futuro governo. Os sete assentos do conselho federal repartiram-se, assim, até agora: dois para os três grandes partidos e um para a UDC. Mas vai conformar-se apenas com um lugar?

Parece pouco provável, quando os partidos minoritários vencedores nestas eleições também esperam uma parte do bolo federal.

Os eleitores suíços travaram, ontem, as ambições da direita populista. A UDC, União Democrática do Centro recuou pela primeira vez em oito anos. Qual o impacto dos resultados na cena política suíça?

Para compreendermos melhor esta questão, falamos com Pierre Gobet, editor de política da TSR, televisão pública suíça.

Euronews – O recuo da UDC, direita populista, marca na sua opinião, uma viragem na história política da Confederação Helvética?

Gobet: – Sim, porque este partido da direita conservadora e populista, atingiu um nível recorde na paisagem política suíça há quatro anos. Desde há duas décadas que vinha a aumentar as percentagens e a ganhar pontos. É importante que a ascendência tenha parado sob a liderança do milionário de Zurique Christoph Blocher. A UDC dominava a paisagem política suíça, muitas vezes, definindo a agenda e agitando as tradições políticas.”

Euronews – Este escrutínio também ficou marcado pela progressão de dois partidos: os verdes liberais e o Partido Burguês Democrático. A que se ficou a dever essa ascensão?

Gobet -Resumidamente, estas duas formações, o PBD, partido Burguês Democrático, é fruto de uma cisão da UDC. Os Verdes liberais, digamos são um novo género de partido que combina a ecologia e o liberalismo. Eles concorrem com os dois partidos que formaram a espinha dorsal do sistema suiço, os radicais liberais e democratas-cristãos. “

Euronews – De um modo geral, a Suíça é apresentada como uma ilha de estabilidade económica num continente europeu que se depara com uma crise profunda na zona euro. A imigração e a valorização do franco suíço pesaram nesta eleição?

Gobet – A imigração é, sem dúvida, uma questão importante. Este é o tema número um da direita conservadora, da UDC e há já muito tempo. Foi a graças à imigração que a UDC construiu uma boa parte do seu sucesso nos últimos 20 anos, mas parece que desta vez a receita não funcionou tão bem. É importante dizer que a Suíça se encontra desde o verão numa situação económica relativamente invejável em relação aos seus vizinhos. A Suíça depara-se com uma forte valorização da sua moeda, o franco, o que coloca sérios problemas à indústria de exportação, que é um setor vital da economia.

Euronews – Depois das eleições, aguarda-se pela formação de um novo Conselho Federal em meados de dezembro. Que direção pode a Suíça tomar, e como podem as relações evoluir, nomeadamente, em relação União Europeia?

Gobet – Esta é a grande questão que por agora está bloqueada na Suíça. Este dossiê sobre a evolução das relações entre a Suíça e a União Europeia. Neste momento baseiam-se numa série de acordos bilaterais, sobre questões específicas e que a União Europeia gostaria de mudar. No entanto, também sabemos que os suíços, não querem um maior compromisso institucional, ou seja, uma maior proximidade à União Europeia.