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Tunísia escolhe modelo político turco

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Tunísia escolhe modelo político turco

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Rachid Ghannouchi, o líder do partido islamista Ennahda que se conseagrou como grande vencedor das primeiras eleições livres celebradas na Tunísia, domina já a cena política do país.

O repto do islamismo moderado será compor um governo que não exclua os jovens, as mulheres e um setor da política comprometido com um verdadeiro modo de vida mais aberto a Ocidente.

A multidão recebeu Rachid Ghannouchi, na Tunísia, em janeiro, pouco depois da queda de Ben Ali.

Ghannouchi, que estava exilado em Londres, desde 1991, para escapar da repressão que confinou à prisão milhares de opositores, começou por ser um admirador de Nasser para, em seguida, aderir às teses dos Irmãos Muçulmanos do Egipto.

Ghanouch:

“Às grandes pessoas que fizeram o possível esta bendita revolução: preservem-na e continuem-na pela igualdade, a democracia e a justiça”

O líder de Ennahda apresenta-se como defensor das liberdades individuais existentes, como por exemplo a situação da mulher tunisina -a mais avançada do mundo árabe e a república parlamentar.

Para o programa do partido, que se compara com o AKP turco, o Islão é “ uma referência fundamental mas moderado”.

Rachid Ghannouchi, líder islamista:

“A ideologia Ennahda é

suficientemente grande para abarcar as mulheres cobertas ou não, e as pessoas religiosas e não religiosas. Estamos numa posição que nos permite negociar com os partidos da esquerda e da direita, e talvez seja por isso o nosso movimento seja tão popular”

No entanto, os críticos acusam os islamistas tunisinos de utilizarem uma linguagem dúbia e denunciam irregularidades no financiamento da poderosa campanha eleitoral de Ennahda.

Um manifestante questiona:

“Por que não se investigou até agora o financiamento dos partidos? Que dizem a isso o primeiro-ministro Sebsi ou Ghannouchi? Por que se permitiu a partidos como Ennahda, obter fundos no estrangeiro, quando é bem conhecido no direito internacional, que nenhum partido ou associação pode, sem permissão legal, aceitar fundos das pessoas, empresas privadas ou entidades estrangeiras”

O partido Ennahda tem cerca de 100.000 membros. E, enquanto reafirma o pder depois das eleições, os opositores insistem ainda sem provas em que recebeu financiamento dos países do Golfo.