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Governo tailandês acusado de desviar água do centro económico para os bairros pobres

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Governo tailandês acusado de desviar água do centro económico para os bairros pobres

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O centro económico da capital da Tailândia foi poupado às inundações que assolam o país.

O fim de semana foi tenso devido à maré alta no Golfo da Tailândia.

As autoridades desviaram a água para zonas alegadamente menos povoadas, evitando assim que o centro da cidade fosse inundado, o que duplicaria os custos do desastre ambiental que o país enfrenta.

Quem não entende estas medidas é a população dos bairros inundados que se insurgiu contra as forças policiais para tentarem derrubar os diques que rodeiam o centro da capital, permitindo o escoamento das águas para os canais de drenagem.

“Vejam como a água está má! Cheira mal! Como podemos viver? O governo não nos ouve! Eles protegem apenas o bairro central de Min Buri pois têm receio que fique inundado!”, acusa este popular.

A primeira-ministra tailandesa afirmou, esta segunda-feira, que o perigo de agravamento das inundações que afetam alguns bairros de Banguecoque tinha passado.

Yingluck Shinawatra disse, ainda, que são precisos três meses para que as zonas industriais alagadas possam retomar as atividades.

As inundações já provocaram 381 mortos e afetaram mais de dois milhões e meio de pessoas.

E à tragédia humana e social junta-se o golpe na economia nacional.

O ministério de Finanças tailandês calcula que vão custar um ponto do PIB.

As previsões de crescimento foram revistas em baixa, de 3,7% em 2011, para 2% em 2012.

A Tailândia é o principal mercado automóvel do sudeste asiático e uma base de produção e exportação de veículos. O problema é que a subida das águas interrompeu a produção de peças destinadas ao Japão e aos Estados Unidos.

Quase 10 mil fábricas tiveram de fechar e mais de meio milhão de empregos foram afetados pelas inundações. A fatura vai ser muito elevada, como afirma um assessor do Bangkok Bank, Lin Hong:

“- Calcula-se que os danos em cinco importantes parques industriais inundados na região norte de Banguequoque, vão causar perdas dentre 11,4 e 14,7 mil milhões de dólares”

As exportações, que representam mais de 60% do PIB tailandês, podem cair 13% no quarto trimestre. As consequências vão continuar a notar-se no próximo ano, segundo o analista:

“- As exportações tailandesas vão ser gravemente afetadas em 2012, principalmente em dois tipos de exportações: carros e componentes eletrónicos.”

A Tailândia é o principal exportador mundial de arroz, mas milhão e meio de hectares de terras cultivadas estão debaixo de água.

O governo anuncia já uma queda de 30% nas exportações de arroz tailandês em 2012.

Lin Hong:

“- Não vamos poder cultivar nada nos arrozais tailandeses durante, pelo menos, duas colheitas. A Tailândia é um país excedentário com abundantes recursos e produtos, mas depois das inundações, estamos a considerar importar produtos de Malásia.”

A água inundou outro pilar da economia tailandesa: o turismo, que representa o 6% do PIB.

Por causa das inundações, este ano entre 500 mil a um milhão de turistas anularam ou estão a anular a viagens para Tailândia.