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Festiva Internacional de Cinema Euro-Árabe

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Festiva Internacional de Cinema Euro-Árabe

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Santiago de Compostela foi palco de uma peregrinação diferente. A cidade espanhola que recebe milhares católicos pelos caminhos de Santiago, acolheu o Festival Internacional de Cinema Euro-árabe.

O Amal, palavra árabe que significa esperança, teve 26 filmes, entre documentários e ficção, a concurso e muitas outras atividades que deram a conhecer um pouco mais o mundo árabe.

O festival, organizado pela Fundação Araguaney, começou em 2003, exactamente com o objetivo de estabelecer pontes entre duas culturas que estiveram muito ligadas, mas que os conflitos recentes ajudaram a afastar.

O diretor do festival, Ghaleb Jaber Martinez, lembra que “existem muitos esteriótipos e cliches associados ao mundo árabe. Para muita gente não há diferença entre árabe e muçulmanos, pensam que é a mesma coisa. Esta confusão não deixa que se entenda a diversidade da cultura árabe e a influência que teve na nossa cultura.”

Muitos dos filmes a concurso relatam a chamada “Primavera Árabe”.

O documentário “Leave! Diário da Praça Tahrir” do realizador Marc Almodovar descreve 18 dias de manifestações que acabaram com a queda do regime de Hosni Mubarak.

Outra película a concurso foi “Plus Jamais Peur”, de Mourad Ben Cheikh que descreve a revolução na Tunísia.

De acordo com o especialista em assuntos árabes e juri do festival, Haizam Amirah-Fernandez, a escolha destes filmes demonstra um crescente interesse pelas mundanças que estão a acontecer.

“Este ano, o mundo árabe foi manchete em todos os meios de comunicação internacionais por causa dos tumultos políticos e sociais. Acredito que os filmes escolhidos abordam grande parte dos assuntos que desencadearam as revoltas.”

O prémio de melhor ficção foi atribuído a dois filmes: “Cairo Exit”, do realizador egípcio Hesham Issawi e “Son of Babylon” de Mohamed Al Daradji, que ganhou também o galardão de melhor diretor.

O protagonista de “Son of Babylon” recebeu o prémio de melhor ator.

Yasser faz o papel de Ahmed, uma criança de 12 anos, que duas semanas depois da queda do regime de Saddam Hussein, procura o pai com a avó.

“Cairo Exit” é uma história de amor, um retrato dos jovens oprimidos que viviam na capital egípcia. O filme foi censurado pelo antigo regime. O realizador espera agora que os novos responsáveis políticos do país abram as portas da liberdade de expressão.

O cineasta Hesham Issawi defende que “é fundamental que haja mais liberdade para a indústria do cinema e para os artistas em geral. Já não há medo de escrever, produzir ou realizar um filme. Todos beneficiam da queda desde muro de medo. Aguardamos agora como o novo regime vai reagir a toda esta nova realidade.”

O papel das mulheres nas sociedades árabes foi outro dos temas em destaque no Amal.

O documentário “Arab Attraction” explora a mudança de vida radical de uma mulher que durante toda a vida foi feminista. Depois de se apaixonar por um muçulmano 20 anos mais novo, durante uma viagem, decide converter-se ao Islão, casar-se e ser a sua segunda mulher.

O diretor do fime, Andreas Horvath diz que “no início não entendi esta história: uma mulher que sempre foi feminista e ateia. Depois apaixona-se por iemenita, converte-se ao islão e desiste de lutar pelos próprios princípios. Foi um excelente começo para o documentário: tentar entender algo difícil de entender, fazendo um filme.”

No final de uma semana de projeções e debates, organização e participantes acreditam que na próxima edição, o Amal vai ter muitos mais filmes para apresentar.