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" La Source des femmes"


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" La Source des femmes"

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No norte de África profundo, no meio da montanhas, as mulheres de uma aldeia, cansadas de ter que transportar a água durante vários quilómetros e cansadas da preguiça dos homens que não fiziam nada resolver o problema decidiram tomar medidas radicais: fizeram uma greve de sexo.

Esta é a base do novo filme de Radu Mihaileanu.

Cineasta que, numa primeira fase, queria apenas ter escrito a história.

Radu Mihaileanu afirma que, “durante anos procurei uma realizadora, mulher e árabe. Mas não consegui encontrar. Mas de cada vez que contava a história a alguém, todos me diziam que devia ser eu a realizar o filme, já que a contava tão bem. Sempre respondi que não, que tinha medo porque não estou dentro da cultura árabe, sou judeu, podia ser considerado, o inimigo.”

Toda a equipa esteve um mês numa aldeia em Marrocos onde o filme foi rodado, a absorver toda a cultura e a aprender o dialeto local. O casting the atores foi feito no mundo árabe. Para o papel principal foi escolhida a atriz francesa de origem argelina Leila Bekhti.

“Eu não tinha noção de como eram estes homens, estou a falar de homens e mulheres, pessoas que não têm acesso ao conhecimento. E apercebi-me que só o facto de se saber ler e escrever nos dá uma liberdade impressionante…e quando não sabemos, essa liberdade não existe. Não tinha consciência disso.”

A história é baseada em factos reais, aconteceu há cerca de 10 anos numa aldeia turca.

Durante o filme, e durante a greve de sexo, é posto em causa o papel tradicional das mulheres nas sociedades árabes. O cineasta acredita que estas mudanças são cruciais depois revoltas da chamada “Primavera Árabe. “É claro que este filme seja visto nos países ocidentais, mas o meu principal objetivo é que seja visto por mulheres nos países árabes, sobretudo para lhes lembrar que elas têm direitos. No Corão , o profeta Maomé deu muitos direitos às mulheres, mas os homens mentem e dizem que elas não os têm. Por isso, voltem a ler o Corão porque vocês têm direitos. Vocês existem. Tal como a Leila diz “eu preciso existir”. Vocês existem no Corão, recuperem os vossos direitos.”

“La Source des femmes” esteve em competição no festival de Cannes e estreia agora nas salas de cinemas em França.

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