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Napolitano: "Não há dúvidas sobre a demissão de Berlusconi"

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Napolitano: "Não há dúvidas sobre a demissão de Berlusconi"

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O presidente da República italiana garantiu que não vai haver um período prolongado de inatividade governamental ou parlamentar no país. Numa nota, Giorgio Napolitano frisou que não há dúvidas sobre a decisão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi de apresentar a demissão depois de o parlamento aprovar o orçamento para 2012.

A lei contém medidas de austeridade, como o aumento da idade de reforma, mais privatizações, a venda de imóveis do Estado e uma revisão das leis laborais. De acordo com Tremonti, será ratificada pelo Parlamento dentro de alguns dias.

Inspetores da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu começaram, esta quarta-feira, os trabalhos de supervisão das reformas económicas da Itália, que Berlusconi se comprometeu a realizar na cimeira europeia de 26 de Outubro.

Itália: “A oposição quer acelerar o processo para pôr fim à vida política de Berlusconi”

Entrevista com Luigi Spinola, jornalista e analista político italiano.

euronews: O primeiro-ministro anunciou a intenção de se demitir mas apenas depois de ser aprovado o novo plano de austeridade. É possível aprovar rapidamente as medidas exigidas pela União Europeia e pelo Banco Central Europeu?

Luigi Spinola: A solução aceite, na terça-feira, pelo presidente Napolitano assenta num calendário rigoroso. Tecnicamente deveria demorar entre duas a três semanas, mas de um ponto de vista político é claro que a oposição quer acelerar o processo para pôr fim à vida política de Berlusconi. Ao mesmo tempo, a oposição sabe muito bem que o principal objetivo de Berlusconi pode ser atrasar o mais possível a demissão e evitar um governo provisório de modo a manter-se até às eleições antecipadas. Isto é típico da política italiana mas neste momento a política italiana está a ser influenciada do exterior, nomeadamente pela Europa e pelos mercados. Penso que os mercados estão a ter um efeito de acelerador. A pressão dos mercados pode acelerar todo este processo.

euronews: A Itália vai ter tempo para implementar um plano de reformas tão duro?

Luigi Spinola: Acho que sim porque este plano não é verdadeiramente imposto pela Europa ou pelos mercados. Estas são reformas bastante conhecidas que os políticos italianos deveriam ter implementado nos últimos vinte anos. Como este país reage sempre de forma positiva quando está com problemas profundos, penso que vai ser bem sucedido. A Itália tem uma base sólida: é a terceira maior economia da União Europeia. O meu único alerta é para tentar evitar a competição política para influenciar a implementação deste plano de reformas.

euronews: Os mercados financeiros italianos estão a ficar cada vez mais nervosos. A situação pode ficar descontrolada?

Luigi Spinola: Existe esse risco. A crise italiana é bastante influenciada, a cada hora que passa, pelas tendências dos mercados financeiros e pelo “spread” entre as obrigações alemãs e as italianas, que não para de crescer. Mas penso que é possível aprovar este pacote de reformas e melhorá-lo em seguida.

euronews: O presidente Napolitano vai decidir o período pós-Berlusconi. Qual é a solução capaz de sossegar os mercados: eleições antecipadas, um governo de unidade nacional ou um executivo tecnocrático provisório?

Luigi Spinola: A solução preferida para a presidência italiana e para Bruxelas parece ser a formação de um grande governo de coligação, talvez dirigido por uma personalidade como Mario Monti, capaz de implementar reformas. Mas não sei se o contexto italiano vai permitir este cenário.

euronews: Para terminar, estamos perante o fim político de Berlusconi ou trata-se apenas do fim da carreira como primeiro-ministro.

Luigi Spinola: A questão é que nos últimos vinte anos Berlusconi foi não apenas o principal líder do centro-direita, ele foi o único proprietário do partido. Todas as outras personalidades talentosas foram afastadas. Se as próximas escolhas de Berlusconi no interior do partido Povo da Liberdade se revelarem conflituosas, isso pode acelerar o processo de renovação da elite.