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Papademos vem de longe: da Reserva Federal americana e do BCE

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Papademos vem de longe: da Reserva Federal americana e do BCE

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Grécia decidiu entregar o governo a um tecnocrata.

Lucas Papademos, de 65 anos, conta com o apoio unânime da classe política grega, mas também com o dos credores internacionais e dos mercados financeiros.

Fez o início do percurso pessoal nos Estados Unidos. Depois de se licenciar em Física e doutorar-se em Economia, nos anos 70, no Instituto Tecnológico de Massachusetts, deu aulas de Economia na Universidade de Columbia.

Em 1980 foi contratado como Conselheiro da Reserva Federal de Boston.

Já com uma aura internacional, regressou à Grécia em 1984, e um ano depois, foi nomeado economista chefe do Banco Central grego, onde passou a governador em outubro de 1994.

Europeísta convicto, participou ativamente na campanha para a adoção do euro, e apresentou a moeda única como o escudo ideal para proteger as pequenas economias dos ataques externos.

O sonho transformou-se em realidade em 2001.

A União Europeia recompensou-o em 2002, oferecendo-lhe o posto de vice-presidente do Banco Central Europeu.

Foi braço direito do presidente, Jean-Claude Trichet, até 31 de maio de 2010, quando o Governo de Papandreou o chamou para aconselhar sobre o plano de salvamento para a Grécia.

Grande conhecedor da Europa e rosto familiar dos os europeus, Papademos é, segundo o analista Zsolt Darvas, o homem adequado à situação:

“Lucas Papademos foi membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu, e pelo que sei, está acima dos partidos políticos. É uma pessoa capaz de reunir várias formações políticas e dirigir um governo largamente apoiado tanto pelo povo como pelo atual Parlamento.”

Mas os gregos têm de continuar com o plano de austeridade que alimenta o sentimento de revolta geral.

A prioridade de Lucas Papademos vai continuar a ser a redução da dívida e do défice para evitar a bancarrota do país.

Com esta garantia de estabilidade política e de rigor económico, Papademos reúne todos os requisitos para tranquilizar os mercados financeiros.