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PE discute propostas para combater casamentos forçados

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PE discute propostas para combater casamentos forçados

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A violação de um direito humano fundamental como o da escolha livre de um parceiro costuma ser notícia em casos de grande violência, como o de uma jovem belga de origem paquistanesa assassinada por recusar um casamento forçado, cujo julgamento na Bélgica se inicia a 21 de Novembro.

Mas diaramente milhares de jovens sofrem em silêncio, como explicou à Euronews a escritora e política Fatiha Saidi, vítima de casamento forçado quando jovem: “Há o fator religioso, totalmente errado porque a religião não obriga os pais a casarem os filhos à força. Há o fator cultural, que penso ser o mais forte, e há ainda o constrangimento social”.

A associação “Voz das mulheres”, em Bruxelas, luta contra este fenómeno há dez anos. Independentemente da nacionalidade ou da idade, as vítimas desta forma de violência são ouvidas e recebem orientação.

“Diria que recebemos cada vez mais casos difíceis e é preciso encontrar as melhores respostas. Por vezes há um membro da família que pode ajudar a acalmar a situação, pode haver um diálogo a nível da escola para discutir o prolongamento dos estudos e para ajudar a jovem a expressar os seus desejos e necessidades em relação ao futuro”, disse à Euronews a diretora, Maria Miguel Sierra.

A falta de estatísticas e estudos ou de harmonização legislativa são alguns dos problemas apontados pelas associações e que estiveram em discussão numa conferência no Parlamento Europeu. Um exemplo claro foi dado por Katinka Ingves, que fez notar que o casamento forçado é crime na Noruega, nas não na vizinha Suécia, onde trabalha em prol destas vítimas.

“Todos os países devem avaliar as leis e regulamentos atuais antes de definirem o melhor caminho. Não estamos aqui para centrar a discussão em questões de cultura, tradição ou religião, mas para defender o direito que todos temos de escolher livremente o parceiro. Esse é um direito humano básico”, afirmou a perita, membro da Organização Nacional de Abrigos de Mulheres e Jovens da Suécia.

Uma das frentes de ataque deve ser a sensibilização do público, nomeadamente dos mais jovens nas escolas, onde estão muitas das vítimas. “Amores Mortos” é uma peça de teatro apresentada pela “Companhia Marítima”, que tenta levar os jovens belgas a refletirem sobre o valor da vida, do amor e do livre arbítrio.