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Comissário Michel Barnier: "Quero reduzir a dependência das notas das agências"

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Comissário Michel Barnier: "Quero reduzir a dependência das notas das agências"

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As notas que as agências de notação atribuem a produtos financeiros ou dívida soberana de países devem ser mais transparentes, defende a União Europeia. Em especial as das agências Standard e Poors, Moodys e Fitch, todas americanas e que controlam 90% do mercado.

O comissário para o Mercado Interno, Michel Barnier, apresentou um pacote de regulação no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para evitar que estas notas agravem situações já de si críticas, como aconteceu com o resgate da Grécia; e que sejam punidas por erros como o cometido em relação à nota da França, na semana passada.

“Precisamos de agências de notação que trabalhem de forma rigorosa, precisamos de mais agências de notação. Existem três grandes agências no mundo – não são suficientes. Quero também reduzir a dependência das notas porque há demasiada regulação financeira para os bancos e as seguradoras dependem sistemática e automaticamente das notas da agências”, disse o comissãrio europeu à Euronews.

A Autoridade Europeia para os Valores Mobiliários e Mercados vai ter mais poderes de supervisão das agências. Estas, por seu lado, tem de justificar claramente as notas que atribuem, devem avisar com antecedência quando as vão anunciar e tal não deve ser feito no pico de funcionamento dos mercados.

Um analista entrevistado pela Euronews considera que os investidores vão reagir mal a esta regulação: “Logo que seja tomada essa decisão pelo regulador, os mercados vão ficar extremamente assustados e vão afastar-se durante meses, tal como acontece agora com a Grécia, Irlanda e Portugal. Assim que haja uma decisão oficial, vai acontecer esse afastamento. Isso poderá agravar, em vez de aliviar, a situação do país em causa”, avisa Karel Lanoo, do Centro de Estudos de Política Europeia.

Mas a proposta da Comissão é mais tímida do que o inicalmente previsto. Ficou afastada a proibição das agências classificarem dívida soberana de países alvo de programas de ajuda e Bruxelas também não vai ajudar a criar novas agências de notação europeias.