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Programa de governo de Mário Monti

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Programa de governo de Mário Monti

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A Itália enfrenta uma emergência económico-financeira com as contas no vermelho e a capacidade de endividamento a esgotar-se. Perante o Senado, o novo primeiro-ministro italiano – que não incluiu qualquer representante eleito pelo povo no seu executivo – revelou as linhas mestras do programa de governo. Disse que assenta sobre três pilares: rigor orçamental, crescimento económico e equidade social. Ou seja, austeridade.

Entre as medidas que defende conta-se uma reforma profunda do mercado de trabalho para corrigir o que diz serem grandes desigualdades. Pretende igualmente mudanças no sistema de pensões, um ponto em que poderá encontrar maiores obstáculos por parte dos parceiros sociais, em particular dos sindicatos.

Luta contra a economia paralela e privatizações são outros dos pontos de um programa de governo que pode ainda dar muito que falar.

 
Líder sindical italiano acusa políticos de “desistirem da sua função”
 
 
 
Estabelecemos ligação com Nicola Nicolosi, secretário-geral da confederação geral italiana do trabalho em Roma.
 
Euronews: O primeiro-ministro Monti apresentou hoje o seu programa de governo no senado e sublinhou a necessidade de reformas no mercado de trabalho e no sistema de pensões mas fez igualmente referência a sacrifícios e equidade. Qual é a vossa impressão?
 
Nicola Nicolosi: “Estávamos ansiosos por este discurso e agora que o conhecemos estou perplexo com algumas questões. Mas quero ter mais detalhes sobre os objetivos do governo de Monti para perceber melhor. Concordamos no que disse sobre a equidade mas pretendemos saber mais sobre o impacto nos trabalhadores, nos pensionistas e nos mais vulneráveis da nossa sociedade.”
 
 
E: Reformas no sistema de pensões e no mercado de trabalho… Quais são os limites para a confederação e onde pode convergir no plano apresentado por Monti?
 
N: não aceitamos o principio de pouparmos dinheiro com as pensões. Defendemos isso há meses. O nosso sistema de pensões está equilibrado. Quanto ao mercado de trabalho: já temos um mercado de trabalho muito flexível, mas 46 contratos diferentes é demasiado. Penso que temos que simplificar este sistema.
 
E: Considerando a situação italiana – que é difícil nos planos financeiro e económico – acha que os sacrifícios podem ser pedidos com o apoio dos parceiros sociais?
 
N: Sempre fizemos sacrifícios, não é a primeira vez. A nossa história fala-nos de um sindicato responsável que está sempre pronto a enfrentar os grandes desafios do nosso país. Aquilo que nós nos queixamos é de que é os únicos a pagarem a crise são os trabalhadores e os pensionistas. Sobre isso estamos em absoluto desacordo. Queremos que aqueles que nunca pagaram por esta crise comecem a pagar também.
 
E: Também há um ponto de vista europeu nesta crise e nos custos para os trabalhadores. Como considera a situação italiana comparada com outros países como a Grécia e a Espanha?
 
N: Vivemos agora num contexto mais alargado. A crise italiana surge de uma crise mais ampla que afeta não só a Europa mas também o mundo inteiro. A queixa do sindicato é a seguinte: os políticos desistiram do seu principal papel, os políticos desistiram de enfrentar as principais questões que influenciam o mercado de trabalho e a economia mundial. O mercado financeiro é cada vez mais e mais poderoso tal como a economia produtiva e a esfera política são cada vez mais fracos. A política tem que impor regras aos mercados financeiros porque os mercados financeiros não podem decidir o destino de 7 mil milhões de pessoas.
 
E: Num país com uma das maiores dívidas públicas da Europa e uma elevada taxa de desemprego jovem, podem os trabalhadores ter esperança numa reviravolta?
 
N: Nós precisamos ter esperança num futuro melhor, num país melhor. Essa é a direção que pela qual nos movemos. Queremos a ajudar o país a recuperar da crise e garantir o bem-estar social.