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Zapatero em fim de mandato e carreira política

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Zapatero em fim de mandato e carreira política

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Um reformador vencido, derrotado pela crise. José Luis Rodríguez Zapatero teve de resignar-se e convocar eleições antecipadas. Em setembro passado dissolveu o Parlamento e anunciou oficialmente que as eleições se iam celebrar a 20 de novembro.

José Luis Rodriguez Zapatero, primeiro-ministro espanhol:

“- Termina, com a máxima responsabilidade, uma etapa, que também deve pôr fim ao que é uma actividade política.”

Uma etapa que começou há sete anos, quando o ex-advogado, durante muito tempo o deputado mais jovem do parlamento espanhol, ganhou, para surpresa geral, as eleições legislativas.

Eleito para a liderança do PSOE, quatro anos antes, arrebatou o posto de chefe do governo a Mariano Rajoy, candidato do PP e sucessor de Aznar.

Os atentados de 11 de março, que Aznar atribuiu à ETA, e a rejeição em massa dos espanhois à guerra de Iraque, contribuiram para a vitória de Zapatero.

Dias depois de tomar posse, o novo chefe do governo ordenou a retirada das tropas espanholas de Iraque. Um gesto que o tornou célebre em todo o mundo.

A seguir, marcou todos com a decisão de fazer de Espanha o quarto país a legalizar o casamanto de homossexuais, em 2005, que foi a primeira de uma série de reformas que alteraram para sempre a sociedade espanhola.

Em 2009 submeteu a voto a lei de interrupção voluntária de gravidez e tornou o aborto acessível às jovens de 16 e 17 anos, sem que o consentimento parental seja necessário.

A lei desencadeou a hostilidade da direita e da Igreja Católica que, em várias ocasiões, mobilizaram centenas de milhares de pessoas em Madrid.

Os dois mandatos de José Luis Rodríguez Zapatero ficaram, também, marcados pelas ações contra ETA.

Depois do fracasso das negociações, quando a organização terrorista pôs fim à trégua com uma bomba no aeroporto de Madrid, a 30 de dezembro de 2006, reforçou a ação policial com a colaboração da França.

Uma estratégia que deu fruto: antes do fim do mandato, a 20 de outubro de 2011,a ETA anunciou o fim definitivo da luta armada.

Um sucesso para o executivo de Zapatero:

Zapatero:

“- Vivamos hoje a legítima satisfação pela vitória da democracia, da lei e da razão. Uma satisfação toldada pela lembrança inesquecível da dor causada por uma violência que nunca se devia ter produzido e que não tem de repetir-se. “

O presidente socialista perdeu o apoio dos espanhois pela má gesto da crise. Depois de ter negado que existia, anunciou um plano de austeridade, em maio de 2010, que obrigou à descida dos salários dos funcionarios públicos, ao congelamento das pensões, a uma subida do IVA e ao fim do cheque bebé, uma das medidas emblemáticas para impulsionar a natalidade.

Apesar da reforma que flexibiliza o mercado de trabalho, a destruição de empregos continua.

Em fim do mandato, perto de cinco milhões de espanhois estão nas listas de desemprego.

Depois de meses difíceis, aos 51 anos, Zapatero retira-se da vida política para se instalar em León, cidade natal.