A Comissão Europeia tem pronta uma proposta sobre a criação das chamadas euro-obrigações, isto é, títulos de dívida soberana conjunta. Uma solução para a crise a que se tem oposto a Alemanha, o maior contribuinte da União Europeia.
Wolfgang Franz, que preside ao painel de conselheiros económicos da chanceler Angela Merkel, explicou à Euronews porquê: “As euro-obrigações não são nada mais do que mutualização da dívida soberana dos países. O conselho de peritos económicos está absolutamente contra isso”.
O economista considera que o Banco Central Europeu (BCE) perderia a sua independência ao emitir estas euro-obrigações.
“Tal significaria, no limite, que o BCE iria monetarizar a dívida soberana – quero sublinhar isso novamente -, o que seria um dos pecados capitais cometidos por um banco central”, acrescentou.
Franz está contra transformar o BCE na rede de salvação da zona euro, desresponsabilizando os estados-membros.
“Eu aconselharia fortemente o Banco Central Europeu a deixar de comprar dívida soberana como tem feito. Começou esse processo em Maio de 2010, o que aceitei – apesar de me causar uma grande dor de estômago – porque o BCE queria criar uma janela de oportunidade para a política orçamental colocar em prática medidas de consolidação. Isso, infelizmente, não aconteceu e chegou a hora dos países individualmente passarem à ação”, afirmou.
O economista partilha da opinião de que – ao contrário da da Grécia, Irlanda e Portugal -, a Itália é uma economia demasiado grande para ser resgatada pelos parceiros. Wolfgang Franz acredita que se implementar as reformas, esse país vai resolver sozinho o seu problema de dívida pública.
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