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Gás de Chipre é o novo problema israelo-turco

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Gás de Chipre é o novo problema israelo-turco

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Em setembro passado, Chipre anunciou o início das prospeções de gás no Mediterrâneo com a companhia norte-americana Noble Energy, na zona económica exclusiva de Chipre.

No ano passado, a descoberta de uma nova jazida com importantes reservas em frente da costa de Israel, do Líbano e de Chipre, revelou grande avidez na região.

O desafio é eminentemente económico, mas não apenas.

O início das prospeções desencadeou a cólera de Ankara, que enviou um barco militar turco para a região, avisando que a zona estaria sob constante supervisão da aviação e marinha turcas.

A fúria de Ancara também se deve ao mais baixo nível das relações com Israel desde a fundação da república turca.

As perfurações foram decididas entre Chipre e Israel, que assinaram um acordo, em 2010, para delimitar as suas zonas económicas exclusivas para continuarem a procurar outras jazidas nas gigantescas reservas da região.

Como se vê no mapa, a cinza, a zona de descoberta e de exploração alastra-se pelas águas territoriais libanesas, israelitas e cipriotas.

O potencial desta zona com o nome de Leviathan é enorme: calcula-se que a descoberta é de 450 mi milhões de metros cúbicos de gás, e que ainda podem ainda estar por baixo mais 250 mil milhões.

Quanto ao petróleo, as reservas calculadas rondam os 4,2 mil milhões de barris.

Ancara não digere o acordo entre o Chipre que não reconhece, e Israel, com quem as relações se deterioraram desdo o assalto ao barco turco Marvi Marmara, que alegadamente levava ajuda humanitária para Gaza.

A Turquia garante que, sem chegar a um acordo sobre a reunificação de Chipre, não pode haver exploração de riquezas, para os cipriotas turcos não serem excluidos.

Recep Erdogan ameaça congelar as relações com a União Europeia se não se fizer nada antes de Chipre assumir a presidência rotativa da UE, dentro de 8 meses.

“- Não reconhecemos Chipre do Sul, e nunca nos sentaremos com eles à mesa, se assumirem presidência de turno da União Europeia”.

Este conflito pelo gás é mais um obstáculo ao fim do conflito que vive a ilha, dividida em duas partes desde os anos 70.