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BCE: O braço-de-ferro europeu

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BCE: O braço-de-ferro europeu

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A intervenção do Banco Central Europeu (BCE) na crise da dívida está a provocar um braço-de-ferro entre Paris, Roma e Berlim. A Alemanha resiste aos apelos de analistas e de países da zona euro, como a França e Itália, para alterar o mandato do BCE e emitir obrigações europeias (“eurobonds”).

Com a crise a bater à porta de Berlim, a pressão aumentou sobre a chanceler alemã e até quando poderá Angela Merkel resistir?

A crise já atinge o coração da zona euro. Alemanha, Itália, França e Espanha contabilizam 79% da dívida soberana da zona euro. Madrid e Roma financiam-se a níveis insustentáveis, as taxas das obrigações francesas estão a subir de forma perigosa e os investidores começam a fugir da dívida alemã.

Para Stefano Micossi, professor no Colégio da Europa, em Bruges, só há uma solução: “Precisamos de um mandato mais amplo para o Banco Central Europeu para que possa intervir e estabilizar o mercado secundário das obrigações e só se pode fazer isto se o BCE emitir “eurobonds”, as obrigações europeias, garantidas por todos os Estados membros”.

Berlim começa a pagar também o preço da incapacidade europeia a resolver a crise. Ontem, o leilão da dívida germânica foi um fracasso. A Alemanha queria vender seis mil milhões de euros de obrigações a dez anos, mas conseguiu colocar no mercado apenas 3,6 mil milhões.

As “yields” alemãs sobem, as bolsas agitam-se e os analistas falam de sinal de alarme.