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Um Egito, duas realidades

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Um Egito, duas realidades

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Todos querem o mesmo no Egito. Todos? Não, porque os insurgentes mantêm o aparato na Praça Tahrir, mas o Cairo continua a tentar viver o quotidiano dentro da normalidade possível. Nesta parte da realidade egípcia, as opiniões sobre os protestos não podiam ser mais claras.

Um cidadão afirma que os manifestantes “são, sobretudo, jovens que não trabalham e não têm nada para fazer. E amanhã ninguém vai ter dinheiro sequer para comprar pão.” Uma outra habitante, mais inflamada, garante que eles “não são egípcios, são pagos para fazer isto; são liberais, salafistas e esquerdistas.”

As opiniões polarizam-se, portanto, entre os que consideram que as manifestações arrastam a estagnação económica e os que defendem uma transição definitiva.

Este apoiante da insurgência afirma que “não há terroristas entre os ativistas, apenas pessoas de respeito.” Outro relembra que “já passaram nove meses e nada mudou. Apesar da paciência para com o Conselho Militar, não houve qualquer alteração.”

Em vésperas de eleições, o sentimento que une os egípcios parece ser o de frustração. A jornalista da euronews, Valerie Gauriat, relata que “todos partilham o fervor contra o poder militar, sejam homens, mulheres, liberais, comunistas, coptas, muçulmanos. Mas fora do palco das manifestações, muitos receiam que o movimento escape das mãos das forças progressistas do país.”