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Extrema direita matou impunemente na Alemanha, até agora

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Extrema direita matou impunemente na Alemanha, até agora

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Os serviços secretos alemães estão a proteger o trio neo-nazi que matou nove estrangeiros, oito deles de origem turca, entre 2000 e 2007?

Desde o início de novembro, dois membros do mesmo grupo, nascido na ex-RDA, foram detidos e outros dois foram encontrados mortos.

O conteúdo de um dos vídeos apreendidos durante os operações policiais indica que o grupo também está por trás de um atentado à bomba no bairro turco de Colónia, em 2004.

O caso, que tem emocionado aos alemães, entrou na esfera política.

Aparentemente, a ação deste trio demonstrou que havia agentes dentro do próprio ministério do Interior.

Já em 1998, tinha sido descoberta uma oficina de fabrico de bombas artesanais, numa garagem arrendada por uma mulher, que não foi investigada.

O ministério alemão do Interior reconheceu problemas na colaboração entre a polícia e os serviços de informação e segurança. A oposição social-democrata e os Verdes exigem explicações.

Na Alemanha, um grupo de extrema-direita pôde matar comerciantes imigrantes durante anos. Ninguém descobriu quem estava por trás dos assassínios. Memet Kilíc é advogado. Nasceu na Turquia e é deputado pelos Verdes no Bundestag.

Sigrid Ulrich, euronews – O que se está a passar?

Memet Kilich, Partido Os Verdes – É um escândalo. Se os nossos serviços de segurança não sabiam que um grupo de terroristas estava ativo em toda a Alemanha, a matar pelo menos, 10 pessoas e a assaltar, pelo menos, 14 bancos, é um escândalo. Mas, se os serviços de segurança sabiam e fizeram como se nada soubessem, é ainda mais escandaloso!

A imagem de Alemanha a nível internacional foi sempre mais importante para Alemanha do que a luta contra o terrorismo ou o combate contra os radicais da extrema direita e mesmo a protecção às vítimas.

Os serviços de segurança excluíram a pista política antes de chegar à cena dos crimes.

Em 2008, quando uma casa de imigrantes foi incendiada em Ludwigshafen, os serviços do Estado fizeram tudo o que estava ao alcance para descartar a pista política, fiz a experiência directamente.

euronews – Provavelmente, fizeram do desejo uma realidade….

M.K. -Tem razão, é isso. A Alemanha queria manter o nível de crimes nazis, crimes da extrema direita, o mais baixo possível nas estatísticas.

Não se deve deixar que o mundo acredite que os nazis ainda estão ativos, na Alemanha. O problema é que isso não é verdade. Os nazis sempre aterrorizaram os imigrantes na Alemanha, e não só no leste do país. Têm numerosas estruturas e agora, há esta espécie de ecrã de fumo: vamos proibir o Partido Nacional Alemão. Mas para mim, isso, não é nada. É preciso clarificar os factos.

euronews – Acha que a proibição do NPD serve para desviar a atemção?

Memet Kılıç – O Tribunal Constitucional afirmou, há oito anos, que os vínculos entre os agentes infiltrados e os serviços secretos são incompreensíveis. Não sabemos quem é responsável pelo quê: os serviços secretos ou o partido da extrema direita. Por isso não o podemos proibir. E se o tentarmos, ainda pode demorar três anos. E não se pode excluir que não o consigamos.

E a extrema direita pode escapar uma vez mais com um bonito documento que diga que está tudo bem. Precisamos de uma comissão parlamentar que esclareça publicamente este escândalo.