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Putin/Medvedev: eleitorado russo continua dança das cadeiras

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Putin/Medvedev: eleitorado russo continua dança das cadeiras

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Vladimir Putin construiu uma imagem de super-heroi, salvador da Rússia, homem forte, antigo agente secreto do KGB.

As imagens já tinham dado a volta ao mundo em anteriores campanhas, de 2000 a 2008.

O tímido e desconhecido primeiro ministro de Boris Ieltsin, em 1999, construiu um verdadeiro culto da personalidade.

A diferença, em relação ao mandato de presidente, é que agora começa a ser vaiado como primeiro ministro…e o culto esmorece.

Não quer dizer que Putin tenha um rival à altura, só ele se compara ao grande ator que se tornou presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Mais novo, mas com pretensões a cowboy.

Atualmente, os líderes ocidentais não têm a mesma quota de popularidade.

A minoria descontenta critica a alternância no poder, a mudança de cadeiras. Em 2008, depois de dois mandatos presidenciais, e perante a impossibilidade de se candidatar pela terceira vez consecutiva, colocou na ribalta política o seu delfim Dimitri Medvedev, que o sucedeu na presiência.

Publicamente, Vladimir Putin desejou-lhe boa sorte e afirmou ter confiança nele, mas ambos sabiam que não era a última palavra.

Foi a ele que Medvedev encarregou de formar o primeiro governo. Manteve-se no cargo quatro anos, o que lhe permitiu controlar as rédeas do poder.

Apesar do sucessor se ter emancipado um pouco do mentor, a verdade é que continuam a funcionar como dupla.

A declaração de apoio de Medvedev a um posterior anúncio da candidatura de Putin às presidenciais de 2012 não foi surpresa… foi como se Medvedev tivesse feito um parênteses legal para permitir o regresso ao poder.

Nem o estilo nem a retórica mudaram. Austero mas populista.

Putin apresenta-se, de novo, como o salvador da Casa da Rússia, mas a conjuntura mundial, desta vez, é sombria, como reconheceu no Kremlin:

“Ainda há risco e incerteza. É muito importante trabalhar em equipa e nestas condições tempestuosas para que o barco não se afunde “.

Durante quatro anos, os russos habituaram-se ao duo…agora repetem o refrão.