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Apatia dos eleitores russos

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Apatia dos eleitores russos

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A menos de uma semana das legislativas, Moscovo não parece uma capital em plena campanha política. Os cartazes eleitorais são discretos e a oposição também…juntam ao nome do Partido Rússia Unida, frases escritas a filtro: como Partido de escroques e ladrões.

A semelhança evidente entre os cartazes da comissão eleitoral e os do partido no poder não causou muita polémica. Ninguém duvida que o partido Rússia Unida, de Putin e Medvedev, vai ganhar a maioria.

Para o analista Boris Doubine, do departamento sociopolítico do Centro de pesquisa Youri Levada, a apatia é o principal inimigo:

“Sentimos a apatia dos russos em relação aos protagonistas e, além dos dois, não há outras figuras no campo político.A situação parece paralisada há 10-12 anos. À escala da história não é nada mas à escala humana é muito, principalmente quando se podia interferir nos acontecimentos”.

Depois das últimas legislativas, em 2007,, a percentagem subiu um terço, os indiferentes duplicaram em relação a 2004.Esta apatia generaliza-se em todos os grupos socio-profissionais:

Sacha acha que nada vai mudar, mesmo se colocar a cruz no boletim, em frente do partido A ou B; Macha considera que o resultado já é oficial antes das eleições.

Mais de 50 por cento dos russos questionados consideram que o voto não altera nada e recusam-se a participar. Também reconhecem a falta de uma verdadeira alternativa política o que impossibilita a expressão do protesto.

Marina, jovem bióloga de 33 anos tem a mesma opinião:

“Não voto…e não que o faça por apatia, é o contrário, por antipatia em relação à situação política do país. Retiraram-nos a possibilidade de votar contra todos e não vejo ninguém, na lista eleitoral, a quem possa dar o meu voto.

Os observadores consideram que a apatia também origina a fuga de cérebros do país: de 25 a 100 mil cientistas, segundo diferentes fontes, trabalham no estrangeiro.

O partido no poder acena com o triunfo da estabilidade instaurada depois do caos dos anos 90.

O jornalista Youri Saprikine é cético quanto aos louros colhidos:

A estabilidade que vivemos é uma estabilidade negra, sem vislumbres de luz. É a estabilidade de um caixão, onde não há alterações. E o partido no poder promete conservar as estruturas do estado e as infraestruturas, do mesmo modo.

Resta-nos a esprança nos trabalhadores russos, talentosos, honestos e escrupulosos.

A história russa dos últimos 200 anos mostra que a vida subsiste apesar de tudo, através do asfalto continuam a brotar flores.