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Como "engordar" o fundo de resgate europeu?

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Como "engordar" o fundo de resgate europeu?

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À medida que a crise da dívida soberana se propaga a várias economias da zona euro, há quem diga que se assiste aos últimos dias da moeda única.

A zona euro, a que pertencem 17 dos 27 estados-membros da União Europeia, poderá caminhar rapidamente para o abismo, se não aumentar em tempo útil a capacidade do Fundo Europeu de Estabilização Financeira(FEEF). Um fundo delapidado pelos empréstimos à Irlanda, Grécia e Portugal, como aponta o correspondente da Euronews.

“Conseguir que os investidores coloquem o dinheiro necessário no fundo de resgate da zona euro não vai ser fácil. Tendo em conta esse fator e o pouco que resta no mealheiro, não parece haver boas perspetivas se algumas economias do euro precisarem de um súbito resgate”, refere Paul Hackett.

O fundo tem atualmente uma capacidade de 440 mil milhões de euros, mas deverá chegar em breve a um bilião de euros, embora houvesse especulações de que poderia ser muito mais.

Stephen Fidler, que chefia a delegação de Bruxelas do Wall Street Journal, disse à Euronews que é preciso mais realismo e definir o papel do Banco Central Europeu (BCE): “Mesmo no melhor dos cenários, a ideia avançada por algumas pessoas de que o fundo poderia chegar aos dois biliões de euros é algo muito desfasado do que será realmente possível. Um bilião de euros é a verba de que se fala agora, mas penso que mesmo esse valor é questionável. O BCE não dá muitos sinais de que estará disponível no longo prazo para apoiar os mercados e, assim sendo, a confiança evaporou-se”.

A Alemanha, maior economia e contribuinte líquido da UE, nem quer ouvir falar de uma intervenção ilimitada do BCE, pedida por muitos governantes e peritos financeiros.

“Atualmente penso que chegou o momento do BCE entrar no jogo em grande, de se assumir como emprestador de último recurso. É preciso assegurar que os governos dos países em causa continuem de facto com as medidas de austeridade e reformas estruturais. Em troca, terão no BCE um emprestador de último recurso”, disse à Euronews Carsten Brzeski, economista do banco ING na Bélgica.

Além do BCE, de onde virá mais dinheiro para resgatar os países em dificuldade? A China parece ser o alvo preferido, até porque se estima que já tem 800 mil milhões de euros de títulos do tesouro de países europeus.

“A China poderá estar disposta a investir na zona euro, mas não será o suficiente para conseguir salvar a zona euro. Os líderes políticos da zona euro sonharam que a China os salvaria das suas preocupações. Penso que vão acordar e ver que a China poderá ajudar, mas que não será o suficiente. Precisamos de outras soluções para lutar contra a atual crise”, acrescentou Carsten Brzeski.