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Líder comunista Gennady Zyuganov: a Rússia está num impasse

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Líder comunista Gennady Zyuganov: a Rússia está num impasse

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Alexandre Shashkov, euronews – Para acompanhar a situação vivida pelos eleitores, estamos em duplex com Gennady Zyuganov, em Moscovo, líder do Partido Comunista, o maior partido da oposição. Muitos eleitores afirmam que está desiludido com todos as correntas da Duma, vários outros partidos foram proibidos por razões processuais. Parte da sociedade está disposta a renunciar às eleições. Qual a sua opinião sobre a atitude, e isso vai influenciar as eleições?

Gennady Zyuganov, do Partido Comunista da Federação Russa – Penso que a participação dos eleitores vai ser maior.

Os cidadãos compreendem que a Rússia está num impasse, a atual “economia baseada nos recursos” (apenas em vendas de petróleo – SD) já não funciona, precisamos de uma verdadeira modernização e de um unidade anti-currupção, maior e com mais meios no governo . É melhor corrigir a nas mesas de voto do que testemunhar a mesma vaga que começou na Tunísia passou para o Egito, a “Primavera árabe”, variante que nós pensamos ser absolutamente inaceitável para a Rússia

euronews – As sondagens mostram alguma quebra na aprovação de Rússia Unida. Isso altera o equilíbrio de forças ou aumenta o elitorado comunista?

G.Z. – Este ano, nas eleições autárquicas em quase todas as cidades, batemos a Rússia Unida. O gráfico mostra o resultado da votação nas maiores cidades da Rússia, Novosibirsk, Nijni Novgorod, Tver, as colunas vermelhas, da nossa cor, são, quase sempre, maior que as azuis. Fizémos uma enorme difusão do programa eleitoral. Tenho certeza que chegou a um novo eleitorado e, a 4 de dezembro vamos aumentar a nossa representação e teremos uma oportunidade para implementar a vontade da maioria dos eleitores. Os cidadãos estão a afastar-se da Rússia Unida, porque frustrou as expectativas e esperanças. As pessoas que pensam, que refletem, que lêem, entendem que, sem a verdadeira oposição, a próxima Duma será como o antiga, só que pior.

euronews – Acredita-se que o seu eleitorado é bastante idoso. O que faz para atrair mais jovens, pessoas mais ativas?

G.Z. – Sabe, essa questão colocava-se há 10 anos. Recentemente aderiram 30 mil jovens. Reativámos os clubes infantis, juvenis e patrióticos, do tempo da era soviética.

Agora, o partido é apoiado, não só pelos idosos, mas também por todos aqueles que lêem, que pensam e que vêem o que está a acontecer no país.

A juventude é que perdeu mais ultimamente.

Nos últimos dois anos formaram-se 2 milhões de jovens na Rússia. E há 17 candidatos para cada posto de trabalho. O que significa que 16 jovens académicos, muitos que pagaram os próprios estudos, ficam sem emprego. A juventude não aceita, é por isso que muitos jovens não apenas vão votar em não, como vão trabalhar connosco.

Estamos a enviar cerca de 100 mil observadores para as assembleias eleitorais para proteger os nossos votos, na maioria jovens, que são muito ativos.