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Os nacionalistas russos


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Os nacionalistas russos

No início de novembro, no Dia da Unidade Nacional Russa, cerca de sete mil skinheads, neonazis e elementos de grupos da extrema-direita reuniram-se nos arredores de Moscovo para a manifestação anual a que chamam Marcha Russa.

Vladimir Tor, um dos líderes nacionalistas não faltou ao encontro.

“Olhem para a Chechénia a nadar em luxo e dinheiro. Olhem para os cortejos de automóveis de Kadyrov’. Olhem para os arranha-céus que estão a construir e para as ruínas das regiões de Arkhangelsk, de Vladimir, de Tver, de Smolensk, de Ryazan, de Tula, de Voronezh, etc. São inúmeras.

O dinheiro devia ser gasto nessas regiões e não no Cáucaso”, disse o líder nacionalista.

Analistas políticos dizem que o governo contribuiu para o crescimento do sentimento nacionalista na Rússia.

Vladimir Putin durante a presidência de 2000 a 2008, apelou aos sentimentos xenófobos numa tentativa de reconstruir a fé dos eleitores.

Agora, quando se prepara para tomar novamente as rédeas do poder, o nacionalismo é mais forte do que nunca. Cerca de 59 por cento dos russos concordam com o mote “A Rússia é para os russos”.

Para os defensores dos direitos humanos, a situação é preocupante.

“Pouco a pouco, as ideias que os nacionalistas divulgam estão a ganhar força. Se repararmos, ao longo dos últimos 20 anos, ideias que pareciam radicais que eram apenas apoiadas por políticos marginais, são agora defendidas por pessoas respeitáveis. Esta mudança é muito perigosa porque pode levar o país para o extremismo”, sublinhou Alexander Verkhovsky da organização dos direitos do homem “Sova”.

Desde a queda da União Soviética há 20 anos, os ataques a imigrantes e às minorias étnicas, bem como o aparecimento de grupos paramilitares e nacionalistas dispararam em flecha.

Para o líder do grupo comunitário “Trabalhadores Imigrantes Tajiques”, se as “Marchas Russas” e os assassinatos de imigrantes continuarem, o banho de sangue vai ser inevitável:

“Cerca de 40 a 50 mil pessoas reúnem-se nesta mesquita todas as sextas-feiras. Será que querem mostrar a força deles a estas pessoas?

Metade deles são tão desmiolados como os que vão para a praça. Será que querem mesmo um confronto?”, alertou Karomat Sharipov.

As autoridades já se aperceberam que o nacionalismo se pode tornar a breve prazo numa bomba relógio.

Segundo o ministério da Justiça, cerca de metade dos desmantelamentos de organizações nacionalistas no país ocorreu nos últimos dezoito meses.

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