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Russos procuram verdade na net

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Russos procuram verdade na net

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Os cartazes do partido Rússia Unida são praticamente os únicos que se vêm em Moscovo, apesar de se candidatarem sete partidos, quatro deles fortes, que vão, decerto, ter representação na Duma.

Para encontrar vozes discordantes, discussões e debates políticos, os russos ligam-se à Internet. Há cerca de 51 milhões de internautas russos. São os mais numerosos numa classificação de 18 países europeus.

A razão é muito simples, a net é um espaço de liberdade no país, o menos censurado.

Por exemplo, as cadeias de televisão emitiram sem som um acontecimento desportivo em que Putin felicita o vencedor. Só na internet se ouviam nitidamente os apupos do público.

Resultado: 530 mil visitas em 24 horas.

Para o famoso bloguista Anton Nossik, a internet converteu-se numa fonte de referência:

“De tudo o que é divulgado em todos os Media, o que circula na internet é mais independente e tem mais influência.

Consciente disso, o Kremlin utiliza as mesmas armas. Medvedev está muito presente no twitter, e os grupos de jovens que apoiam o Kremlin também são muito activos na rede, com iniciativas como a do exército de Putin, composto por jovens dispostas a rasgar a roupa toda pelo atual primeiro-ministro e futuro presidente – depois das eleições de 4 de março de 2012.

A famosa plataforma “live journal”, ponto de encontro de todos os bloguistas russos e da oposição, tem sido vítima de vários ciberataques, levando alguns dos participantes a procurar plataformas alternativas. Para Alexei Nalvany, a internet serve para organizar a resistência.

A campanha contra Rússia Unida, o partido dos que não têm vergonha e dos ladrões está na internet. Usamos internet para coordenar os voluntários de várias cidades porque é uma infra-estrutura e é a única a que temos acesso.

Mas os bloguistas não chegam para mudar as coisas. Mais tarde ou mais cedo, vão ter de se bater na vida real se quiserem acabar com “a quadratura do círculo”, que pode repetir-se até 2024 com o estrategma da alternância no poder, agora com mandatos de 6 anos.