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Itália prepara-se para o remédio amargo de Monti

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Itália prepara-se para o remédio amargo de Monti

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Poderá a Itália salvar-se a si própria e ao euro? O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, apresenta segunda-feira ao Conselho de ministros o novo plano para reduzir a dívida do país, procurando tranquilizar os mercados obrigacionistas e os parceiros europeus.

O plano de austeridade deverá incluir de novo o imposto sobre a propriedade ou a difícil reforma do sistema de pensões. Roma prometeu equilibrar as contas até 2013.

A situação é complicada. A dívida pública atinge 1,9 biliões de euros, ou seja, 120% do PIB, as previsões de crescimento para o próximo ano são negativas (menos 0,5%) e a taxa de desemprego é de 8,5 por cento. Mas só Roma se pode salvar, já que como terceira economia da zona euro é demasiado grande para ser ajudada pelo fundo europeu de resgate.

Face aos sacrifícios que serão necessários, o governo Monti deixa um apelo aos italianos: “Temos de agir de forma responsável e depressa”.

Para analisar o plano de Monti para fazer face à crise falámos com Armando Branchini, professor de de Economia na Universidade Bocconi e um dos conselheiros do primeiro-ministro italiano.

Annibale Fracasso, euronews: Segunda-feira, o primeiro-ministro vai apresentar o terceiro plano de austeridade em menos de seis meses. Durante os encontros em Bruxelas, Mario Monti disse, claramente, que a situação italiana é delicada e que têm de agir rapidamente. Acha que a Itália pode sair desta situação?

Armando Branchini, professor de Economia: Estou seguro de que Itália será capaz de sair desta situação. O equilíbrio orçamental será, certamente, conseguido e o défice rapidamente reduzido. Este terceiro plano é muito importante e deve-se ao facto de que os primeiros dois, um em julho e outro nos dois meses seguintes, eram incompletos e tardios. Temos de recordar-nos de que em maio o antigo primeiro-ministro Berlusconi dizia que Itália era o país europeu em melhor forma e não precisava de intervenções corretivas.

euronews: O governo Berlusconi apercebeu-se demasiado tarde da gravidade da crise italiana. Todos diziam que era responsável pela subida dos “spreads” no mercado, mas com Monti parece tudo igual…

A. Branchini: Quando o fruto maduro começa a apodrecer é difícil parar a podridão. Creio que é indispensável avaliar a intervenção quer ao nível do plano de austeridade quer das medidas para a retoma. Iremos ver isso na segunda-feira. Uma das premissas tem de ser o equilíbrio da partilha de sacrifícios. Será, certamente, um plano que vai exigir muitos sacrifícios aos italianos. Mas não há dúvidas de que, no passado, as finanças do Estado italiano eram de algo forma irresponsáveis.

euronews: Os sindicatos italianos já avisaram que a tensão está ao rubro. A Itália tem também a síndrome grego?

A. Branchini: Não penso que haja o risco da síndrome grego. Penso que o plano, que será apresentado segunda-feira por Monti, será a combinação de rigor e crescimento, mas terá também um forte sentido de equidade. Por isso, os sindicatos poderão estar tranquilos e, ao mesmo tempo, poderão encontrar as condições necessárias para voltar ao famoso acordo entre forças sociais, que garante a estabilidade da situação financeira italiana. A situação era mais difícil do que hoje e permitiu uma retoma económica do país.

euronews: Os maiores bancos centrais do mundo baixaram as taxas aplicadas às linhas de liquidez em dólares para aliviar a pressão no sistema produtivo mundial. É suficiente para relançar a máquina económica?

A. Branchini: Provavelmente, não será suficiente mas foi uma decisão muito positiva. Estamos numa situação de restrição de crédito e penso que esta ação coordenada dos maiores bancos centrais do mundo é muito hábil. Penso também que uma descida das taxas de juro de alguns bancos centrais iria nessa direção.