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Durban: Última oportunidade para salvar o Protocolo de Quioto?

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Durban: Última oportunidade para salvar o Protocolo de Quioto?

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Economias emergentes como China e Índia são hoje responsáveis pela maior fatia das emissões de gases de efeito estufa (primeiro e terceiro lugar respetivamente), que atingiu valores recorde em 2010, segundo a Agência Internacional de Energia. Mas não subscreveram o Protocolo de Quioto, criado no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), para combater o aquecimento global.

Prolongar a vigência do Protocolo de Quioto, que expira em 2012, é um das prioridades da 17 Conferência sobre Alterações Climáticas, em Durban (África do Sul), entre 28 de Novembro e 9 de Dezembro.

Mas mesmo ONU admite que há uma grande divisão política: “Temos que ver como podemos equilibrar politicamente a liderança dos países industrializados no âmbito do Protocolo de Quioto com uma responsabilidade crescente que deve ser partilhado por todos sob a convenção”, disse à Euronews Christiana Figueres, directora-executiva da Convenção-Quadro para as Alterações Climáticas da ONU, uma das participantes num debate, no Parlamento Europeu, no passado dia 9 de Novembro, sobre as perspetivas para a Conferência de Durban.

Contrariamente à UE, Japão, Rússia e Canadá não estão dispostos a prorrogar o Protocolo. Exigem compromissos dos países emergentes num novo tratado global. Mas China, Índia ou Brasil consideram que o preço para manter o planeta saudável deve ser pago por quem tem mais responsabilidades

“Aqueles que mais fieram para criar este problema também deve fazer muito mais para o resolver. E parte da solução está em fornecer este apoio adicional aos países em desenvolvimento para que eles possam fazer muito mais também”, afirmou Vicente Yu, coordenador de programas do centro de reflexão South Center.

Quem pagará o preço?

O fato dos EUA serem o segundo maior poluidor do mundo, e não estem dispostos a assinar um tratado internacional, torna mais difícil conseguir um consenso. E torna também mais difícil reunir o dinheiro para financiar o Fundo para o Clima Verde: 100 milhões de dólares por ano, a partir de 2020, para lutar contra as consequências das alterações climáticas, especialmente nos países menos desenvolvidos.

“Os países desenvolvidos foram responsáveis ​​por 70% das emissões e a sua acumulação na atmosfera desde o início da era industrial, por isso devem pagar 70% do preço”, conssidera Alfredo Sirkis, deputado brasileiro e líder da comissão que prepara a Conferência sobre Biodiversidade Rio+20, em 2012.

O investimento em energias renováveis ​​é uma das formas de evitar que o globo aqueça mais do que os 2 graus celsius em relação à era pré-industrial. Acima deste nível, os cientistas dizem que as mudanças climáticas serão irreversíveis e catastróficas.

A União Europeia quer falar na conferência sobre a chamada economia verde, vista pelos especialistas como uma forma decisiva para criar empregos e sair da crise.

“Qualquer coisa que os governos façam para dar alento à economia, para lidar com o setor bancário, deve ser feito tendo em conta como vão investir mais, colocar dinheiro dos fundos de resgate na economia verde. Ou seja, mudar o nosso sistema de energia a partir de combustíveis fósseis para energias renováveis e outras fontes. Vão ter que gastar dinheiro de qualquer maneira para resolver esta confusão, e o importante é que gastem esse dinheiro num direção limpa e ecológica verde”, explicou Jim Watson, professor na University de Sussex (Grã-Bretanha).

“A UE não é o problema, temos dado o exemplo”

Milhares de especialistas, ativistas e políticos estarão reunidos a fim de chegar a um acordo que afeta toda a humanidade. Pessoas de quase 200 países têm duas semanas para provar se podem ultrapassar as suas diferenças. Para analisar a estratégia da Uniao Europeia para a Conferência sobre Alterações Climáticas, a correspondente da Euronews, Isabel Marques da Silva, entrevistou Connie Hedegaard, comissária europeia para Ação Climática.

“Não consideremos que o Protocolo de Quioto seja absolutamente fantástico e perfeito, mas é o que a comunidade internacional tem e demorou muitos anos a criar. Por isso, devemos ter cuidado com o que fazemos com ele. Mas, embora a Europa esteja decidida a aceitar um segundo período de compromisso – como chamamos à extensão do Protocolo de Quioto por mais uns anos- precisamos também de saber: senão agora, quando é que outras grandes economias estarão preparadas para se comprometerem?”, afirmou Connie Hedegaard à Euronews.

A comissária refere que a UE manterá a liderança no processo porque “não somos o problema nestas negociações. Na Europa estamos prontos para assinar um compromisso legal duradouro há muitos anos. E temos sido exemplares: naquilo que fazemos na Europa, nos objetivos que estabelecemos, no esquema de comercialização de emissões, nos mecanismos de mercado que temos. Provámos ao mundo como de fato de podem reduzir emissões.”