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Christopher Sims: "Estamos a caminhar para uma maior união na Europa"

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Christopher Sims: "Estamos a caminhar para uma maior união na Europa"

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Nesta altura quem que se fala do Prémio Nobel em Estocolmo, e com a crise económica na ordem do dia, fomos à capital sueca falar com Christopher Sims, galardoado com o Prémio Nobel da Economia 2011, partilhado com outro norte-americano, Thomas Sargent.

Os dois foram laureados pelas pesquisas empíricas sobre os fatores de causa e efeito na macroeconomia.

Euronews: Christopher Sims, obrigada por falar com a Euronews. Infelizmente Thomas Sargent não pode estar presente, connosco, por motivo de doença, mas creio que possa falar também por ele. Por que razão foram os dois agraciados com o Prémio Nobel?

Christopher Sims: “O Tom ganhou o prémio pelo trabalho dele que se baseia numa ideia chamada de “expectativas racionais”, que consiste na ideia de que as pessoas olham para o futuro enquanto tomam decisões no presente. No momento em que ele fez o trabalho esta noção de senso comum, aparentemente, não estava a ser incorporada nos modelos que estavam a ser usados ​​para orientar as políticas. Isso mudou, realmente, o modo de conceber os modelos de política económica. O que eu fiz não era nada relacionado com expectativas racionais. Na época em que estava a escrever, havia uma polémica entre monetaristas e umas pessoas chamadas Keynsianos. Estes são dois ramos da economia. Os monetaristas

pensavam que a oferta de dinheiro alavancava a economia e que as recessões e as flutuações económicas foram, em grande parte, causadas ​​por erros na política monetária. Os Keynsianos pensavam que a política monetária não tinha sido a principal força a alavancar o ciclo dos negócios.

Eu fiz um trabalho que ajudou a desenvolver métodos estatísticos que elucidaram esta questão.”

E: Vamos reduzir o foco e concentremo-nos na crise na Zona Euro que, vem dominando nos últimos meses, as manchetes dos jornais. Na sua opinião, a Zona Euro está perto do colapso?

CS: “Creio que está no limite. Escrevi um artigo, por volta de 2002, onde falei sobre a probabilidade de haver uma crise como esta. Na época, eu disse e creio que seja ainda verdade, que mesmo que não saibamos responder à questão. A questão é: Querem as pessoas preservar o euro, ao ponto de estarem dispostas a construir, no momento e sem um plano sustentado, instituições fiscais que são necessárias, ou, Será que o Euro é tão fraco que sem este apoio político não se aguenta?”

E: Qualquer coisa que aconteça na Europa leva algum tempo até ser posta em prática. É um processo lento. Assim, o que acontece caso a Itália declare insolvência? Quais serão as consequências?

CS: “O Banco Central Europeu poder evitar que a Itália entre em insolvência, o que não pode evitar é que ele próprio fique insolvente. O BCE não pode tornar-se insolvente pois pode emitir moeda, mas se os seus resultados forem maus, pode ser obrigado a inflacionar O BCE pode aumentar a emissão de dinheiro e se for obrigado a fazer isso, poderá causar inflação, e é com isso que os alemães estão preocupados.”

E: Então não sabemos quanto tempo vai levar até conseguirmos sair desta crise, mas quando emergirmos será que vamos assistir a uma nova ordem mundial onde as nações, outrora dominantes, serão relegadas para segundo plano por estes fortes mercados emergentes?

CS: “Não creio. A China está a crescer muito rapidamente mas os seus trabalhadores não são muito qualificados e o sistema político é muito primitivo em vários aspetos Temos o exemplo de outros países que cresceram muito rapidamente para conseguirem “apanhar” o ocidente e depois abrandaram e à medida que se vai abrandando isso pode provocar ajustamentos terríveis, como aconteceu no Japão. Em relação à Zona Euro, podem acontecer grandes mudanças, ou se caminha para uma maior união ou para a separação. Creio que estamos a caminhar para uma maior união na Europa. A Europa pode ser consideravelmente mais poderosa e sairá beneficiada.”

E: Diz-se que quando os Estados Unidos espirram, o resto do mundo, incluindo a Europa, fica constipado. Parece que agora a situação se inverteu e os Estados Unidos estão bastante preocupados com o desenrolar da crise da Zona euro. Qual o risco para os Estados Unidos?

CS: “Se a Zona Euro cair seguir-se-ão mais grandes perdas. Muitos bancos e instituições financeiras vão estar em apuros e, simplesmente, não sabemos como é que isso se vai traduzir em problemas para as as instituições financeiras dos Estados Unidos.”

E: Qual é a sua opinião?

CS: “Não faço a mais pequena ideia do que se irá passar. Estou preocupado que, por exemplo, os Estados Unidos mergulhem numa dupla recessão, caso haja um colapso europeu, pois isso teria um efeito de contágio sobre as instituições financeiras dos Estados Unidos.”

E: Dá aulas a estudantes universitários, a próxima geração de decisores. Como vê o futuro deles?

CS: “Quando comparamos a situação dos jovens de hoje com a situação dos jovens de há 80, 100 anos, eles não têm nada de que se queixar. Aconteceram muitas coisas boas no mundo desde então e creio que as pessoas vão continuar a ser inventivas e a encontrar modos de criar novas instituições políticas e novas tecnologias. Por isso, estou otimista!”