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Protocolo de Quioto: uma morte anunciada

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Protocolo de Quioto: uma morte anunciada

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O protocolo de Quioto “pertence ao passado”. Com esta frase, o Canadá, um dos trinta e seis países que ratificaram o único tratado que impunha objectivos de redução de gases com efeito de estufa, mostra bem as dificuldades para chegar em Durban a um novo acordo sobre o clima.

O ministro canadiano do Ambiente disse, em conferência de imprensa: “Temos que ser justos se queremos ser eficazes e é por isso que para o Canadá o Protocolo de Quioto não é a solução, é um acordo que cobre menos de30% das emissões globais, talvez 15% ou menos.

O secretário-geral da ONU tinha pedido a construção de uma política climática com base no Protocolo de Quioto. Uma mensagem que visivelmente não comove os grandes poluidores do planeta.

A China e os Estados Unidos, os dois principais emissores de gases poluentes não estão dispostos a entenderem-se. O Japão, a Rússia e o Canadá não estão dispostos a assumirem novos compromissos.

Veja no sítio web mais sobre a cimeira do clima em Durban

 
Jo Leinen:“China e Estados Unidos jogam ping pong em relação ao clima”
 
A partir de Durban, Jo Leinen, chefe da delegação do Parlamento Europeu na Conferência do Clima da ONU.
 
Stefan Grobe, euronews – O senhor criticou duramente a China e os Estados Unidos por constituirem os principais obstáculos à elaboração de um tratado. Há informações de que a China pode mudar de opinião. É verdade? Houve avanços depois da publicação das propostas da UE?
  
 
Jo Leinen – Com esta, já são três conferências do clima em que há um verdadeiro ping pong entre a China e os Estados Unidos, que bloqueia todo o processo.
Agora, parece que é a China que está disposta a avançar. Mas temos de verificar se os chineses querem que as obrigações do tratado sejam aplicadas apenas nos países desenvolvidos ou também na China e nos outros países emergentes.  
Temos de averiguar. Mas é verdade que a China está a fazer alguns movimentos.  
 
 
euronews – Os outros grandes países que atrasam o passo são os Estados Unidos e a Índia, as duas maiores democracias do mundo. Porque é tão complicado convencê-los da necessidade de um acordo? 
 
J.L. – Há muitas diferenças entre a Índia e os Estados Unidos. Nos Estados Unidos impera a superabundância, o estilo de vida americano, que muitos temem perder em caso de acordo.
Na Índia, há entre 400 a 500 milhões de pessoas que lutam pela sobrevivência diária. O governo receia que a proteção do ambiente entrave o desenvolvimento económico. Mas são duas abordagens muito diferentes, apesar de serem ambos países democráticos e as democracias precisarem de apoio das pessoas. Por isso os políticos norte-americanos e indianos não podem ou não querem alinhar.  
 
euronews - A economia mundial atravessa uma grave crise sem que se vislumbre a luz ao fim do túnel. Muitos países que têm de aplicar medidas de austeridade também querem cortar os gastos com a proteção do clima. Que tem a dizer? Como conciliar desenvolvimento económico e proteção ambiental?
 
 
J.L. – Há que anular este antagonismo e criar uma situação em que todos saiamos a ganhar. Em qualquer caso, temos de poupar energia e temos de utilizar os recursos de um modo mais sensato.
Por outro lado, devíamos considerar a crise atual como uma oportunidade para impulsionar programas de crescimento e investimento para reduzir as emissões de carbono e projetos energeticamente eficientes, por exemplo, no setor da construção e do transporte e, consequentemente, na energia. A crise não deve ser uma desculpa para ser complacentes com a proteção do clima.
 
 
euronews - A próxima Conferência das Nações Unidas para o clima vai ser no Qatar, em 2012.
O que podemos esperar até lá? Pensa que vai haver avanços ou retrocessos?
 
 
J.L. – Os países exportadores de petróleo são, por tradição, obstrucionistas. É um grupo de países que se nega a cooperar. O Qatar é um país moderno, anfitrião do Campeonato do Mundo de Futebol e também da Conferência do clima da ONU. Por isso acho que este estado do Golfo Pérsico quer demonstrar ao mundo que completou a transição do passado para o futuro.
Só podemos esperar que a celebração da conferência na região do Golfo empurre muitos países dessa parte do mundo a apanhar o comboio da proteção climática e que a causa avance.