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Extrema-direita: UE desvaloriza aumento da radicalização?

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Extrema-direita: UE desvaloriza aumento da radicalização?

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A União Europeia não presta a devida atenção ao aumento da expressão dos movimentos de extrema-direita em vários dos seus países-membros? A questão tem sido colocada por alguns académicos, ativistas e comunicação social, sobretudo quando surgem casos como o do grupo neonazi alemão que matou oito turcos, recentemente descoberto.

As redes sociais virtuais são hoje um dos pólos agregadores de simpatizantes de movimentos racistas e nacionalistas. A presença destes no Facebook foi objeto de estudo pelo Demos, um centro de reflexão britânico que analisou as mensagens de 11 mil pessoas de 11 países. A islamofobia foi um das tendências detetadas.

“Penso que muitas pessoas estão a usar o Islão como pretexto para discutir outras coisas que realmente as preocupam. A realidade é que a esmagadora maioria dos muçulmanos europeus são democratas que defendem a paz. Sentem muito orgulho em serem muçulmanos europeus. Mas, muitas vezes, são apresentados na comunicação social como extremistas e fanáticos”, disse à Euronews Jamie Bartlett, da Demos.

O aumento da influência da extrema-direita tem alguns exemplos mais mediáticos como a Frente Nacional em França, com Marie Le Pen como candidata presidencial; ou o Partido da Liberdade na Holanda, cujo líder Gert Wilders teve de dar explicações na justiça por incitação ao ódio.

Além dos partidos, outras organizações como a Liga de Defesa Inglesa ou o movimento “Párem a Islamização da Europa” agregam milhares de pessoas.

“Estes grupos antigamente marginais estão a crescer cada vez mais. O que é assustador é o fato de que os partidos de direita se apropriam desse discurso e o colocam em prática”, afirmou à Euronews Emine Bozkurt, eurodeputada holandesa do grupo dos Socialistas e Democratas.

A correspondente da Euronews, Gülsüm Alan, entrevistou Michael Privot, director da Rede Europeia Contra o Racismo, que agrega 700 organizações não governamentais, sobre a necessidade de respostas políticas a esta tendência.

“Desde ha uma década, a Europa começou a virar à direita. Vai em direção da extrema direita. Os seus membros alimentam um discurso global na sociedade, que é retransmitida pelos meios de comunicação social, pelos políticos em todos os os níveis da sociedade, banalizando o ódio pelo outro. Apercebemo-nos também que os governos ou não fazem nada sobre isto ou não têm suficente força para conter esta forma de violência”, afirmou Michael Privot.

Sobre um das vertentes deste fenómeno, o aumento da islamofobia, o director da Rede Europeia Contra o Racismo explicou que há sinais preocupantes: “Existe realmente um duplo sentimento de vitimização no seio da comunidade, já que tem a impressão de que não só não contribui para a economia e o bem estar geral – como faz toda a gente, mas que também não recebe proteção nenhuma e a sua voz não conta absolutamente nada no âmbito do debate político global”.