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Crise do euro e contestação eleitoral marcam cimeira UE/Rússia

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Crise do euro e contestação eleitoral marcam cimeira UE/Rússia

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Terceiro maior parceiro comercial da União Europeia (UE), a Rússia é também um dos mais importantes fornecedores de energia na Europa. Mas na 28 cimeira entre as duas potências, esta quinta-feira, Bruxelas pretende também falar das manifestações contra os alegados resultados fraudulentos das legislativas russas do passado dia 4, mesmo que Moscovo tenha outra agenda.
  
“Não vejo espaço para qualquer polémica sobre as eleições, que já estão no passado. Iremos discutir as questões atuais ao nível da parceria estratégica entre a Rússia e a UE. Em primeiro lugar, negociações sobre o novo acordo-quadro UE-Rússia. Em segundo lugar, o progresso no diálogo sobre isenção de vistos”, disse à Euronews Vladimir Chizhov, embaixador da Rússia na UE .
 
O partido Rússia Unida, do presidente Dmitry Medvedev e do primeiro-ministro Vladimir Putin, perdeu considerável representação na Duma, a câmara baixa do Parlamento russo. Mas mesmo os 50% de votos conquistados terão sido obtidos à custa de fraudes, segundo a missão de observadores europeus.
  
“É com muito gosto que vemos que muitas pessoas estão agora interessados em discutir eleições livres e justas. É exatamente o que sempre desejámos. Temos de encorajar estas manifestações para que ganhem ainda mais força. Tal é do interesse da federação russa e da Europa”, explicou Christian Forstner, analista da Fundação Hanns Seidel, em Bruxelas.
 
Dezenas de milhares de pessoas protestaram em várias cidades russas desde as eleições, tendo ocorrido centenas de detenções. Mas um dos rostos mais conhecidos da oposição, e ex-campião de xadrez, não espera muito da pressão europeia.
  
“Quaisquer decisões tomadas nesta cimeira não terão grande importância do ponto de vista histórico. A Europa está hoje numa situação financeira de tal forma má que não se importa de fazer toda e qualquer concessão. E não há dúvida de que Putin tirará daí todas as vantagens que puder”, disse Garry Kasparov à Euronews, numa recente deslocação a Bruxelas.
 
A economia da Rússia deverá crescer 4% no próximo ano e o Kremlin já disse estar disposto a ajudar a UE a sair da crise da dívida soberana, reforçando as verbas do Fundo Monetário Internacional.