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Rússia entra enfim na OMC

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Rússia entra enfim na OMC

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Ao fim de 18 anos de negociações, a Rússia é aceite na Organização Mundial do Comércio (OMC). Até agora, integrava apenas o grupo das vinte maiores economias do Mundo fora da OMC. Estima-se que a adesão traga competitividade e modernização à economia russa e um impulso de 1% do PIB por ano.
 
A Rússia exporta mais de 400 mil milhões de dólares por ano. O setor energético representa cerca de 70 por cento, o minério e pedras preciosas quase 13 e os produtos químicos mais de seis por cento.
 
Uma das primeiras medidas visíveis da adesão será a descida dos preços dos bens que importa, sobretudo, da Europa. As máquinas industriais e os carros representam quase 45 por cento, seguem-se os produtos químicos e os bens agrícolas e alimentares.
 
Por outro lado, a Rússia poderá vender o petróleo e gás de forma mais eficaz e sua indústria metalúrgica já não estará sujeita às quotas impostas aos países que não integram a OMC. As tarifas para 700 categorias de produtos serão abolidas ou reduzidas. Estima-se que a taxa aduaneira média das importações desça de dez para sete por cento.
 
Para os russos baixarão os preços dos carros estrangeiros, por isso, os construtores nacionais  temem a concorrência dos congéneres internacionais.
 
Quanto à agricultura, a Rússia terá de cortar as subvenções de nove mil milhões de dólares por ano. Um valor que baixará para metade a partir de 2013.
 
Apesar dos riscos, a Rússia entra. O processo deverá estar terminado em meados de 2012 com o voto da Duma.
 
Para falar da importância da Rússia juntar-se à (OMC) a euronews entrevistou Alexei Portanski, professor do departamento de Política de Comércio da Universidade de Economia de Moscovo e diretor do gabinete de informação da OMC em Moscovo.
 
Natalia Marshalkovich, euronews: Na atual conjuntura de crise há quem defenda que o modelo atual de globalização já deu o que tinha a dar. Porquê aderir à OMC?
 
Alexei Portanski, Diretor do gabinete de informação da OMC, em Moscovo: Sim, há a opinião de que podemos proteger as companhias nacionais sem participar em instituições como a OMC. Mas é um erro. Nós tentamos aderir à OMC precisamente para protegermos a nossa indústria nacional. Atualmente a indústria é uma das mais discriminadas no mundo. Enfrentamos grandes limitações nos mercados externos. Portanto, só depois de fazermos parte da OMC é que podemos acabar com estas limitações. Isto criará novas possibilidades para os produtores russos e exportadores nos mercados mundiais. Em relação à crise atual e ao modelo de globalização, está na moda criticar. Eu acho que vale mais participar em algo para tentar mudar as instituições económico-financeiras globais do que ficar de fora. Porque nesse caso, é óbvio, as diferentes reformas vão ignorar os interesses nacionais da Rússia.
 
euronews: Que tipos de indústria vão beneficiar com a adesão da Rússia à OMC e quais vão ser prejudicados?
 
A. Portanski: As nossas condições de adesão à OMC fazem com que nenhum tipo sofra com a adesão da Rússia. Algumas empresas específicas podem ter algumas dificuldades, mas também vamos ter que olhar para as razões que explicam essa situação. Se falamos de indústrias que mais podem beneficiar com a adesão da Rússia, temos a siderurgia, a indústria química e os produtores de fertilizantes. De qualquer forma, atualmente só podemos exportar os nossos bens para o mundo se formos membros da OMC porque há muito que os mercados são partilhados e é quase impossível um novo membro entrar nesses mercados sem a aderir à OMC.
 
euronews: Qual poderá ser a contribuição da Rússia para a economia mundial e para a própria OMC?
 
A. Portanski: Como referiu várias vezes o chefe da OMC, Pascal Lamy, só quando a adesão da Rússia for aceite é que a organização se vai tornar verdadeiramente global. Lembro que no início de 2000 as pessoas diziam: bem, a Rússia e a China não fazem parte da OMC, a organização não pode ser considerada completamente universal. A China aderiu em 2002 e agora em 2012 a Rússia vai oficialmente aderir. Para os nossos parceiros comerciais, a Rússia vai tornar-se um parceiro mais transparente porque vamos aceitar e seguir as regras universais. E como disse, vamos estar em pé de igualdade na elaboração das novas regras para o comércio global. E a jurisdição da OMC vai abranger novos setores como as alterações climáticas, o meio ambiente como um todo, para que os esforços dos diferentes Estados se tornem mais eficazes.