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O perfil de Vaclav Havel

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O perfil de Vaclav Havel

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Vaclav Havel simboliza, melhor do que ninguém, a luta contra a opressão e domínio soviéticos. Nasceu no dia 5 de outubro, em 1936, no seio de uma família burguesa em Praga, três anos antes da ocupação alemã.

Em 1945, a Checoslováquia libertou-se do jugo nazi mas, longe de conseguir a independência, caiu nos braços dos “libertadores soviéticos”.

No fim da guerra, o regime comunista etiquetou a família Havel de inimiga de classe e o jovem Vaclav refugiou-se na escrita. Aos 20 anos publicou vários poemas.

Em 1964, em pleno abertura política, casou-se com

Olga Splichalova, musa até à morte, em 1996. As peças que escreveu representavam-se em todos os teatros de Praga.

Em 1968, no mês de agosto, os tanques soviéticos acabaram com o socialismo de rosto humano de Dubcek e com a Primavera de Praga. A liberdade artística foi proibida e Vaclav Havel foi preso na sequência da publicação de seis ensaios políticos.

Foi condenado em diferentes situações, passou cinco anos na prisão e tornou-se um dos mais célebres dissidentes do bloco comunista.

Alexander Dubcek foi proscrito. A União Soviética de Bresnev estendeu os tentáculos no país durante 21 anos.

No fim dos anos 80, Gorbachov tentou reformar o comunismo. A Checoslováquia é um

dos países de Leste onde a transição sem violência foi possível.

Vaclav Havel liderou a Revolução de Veludo, foi nomeado presidente pelo parlamento comunista e confirmado no cargo, um ano depois, em eleições livres.

Com o fim do comunismo recomeçam as tensões nacionalistas. Em 1992, os checos e os eslovacos separam-se, contra vontade de Havel, que se demite.

No entanto, o povo da nova República Checa reelege-o presidente em 1993.

Nos momentos de tranquilidade, Vaclav Havel mostra-se o homem de sempre, viaja e vai a concertos dos Rolling Stones, que o visitam.

Em 1996, não só morreu a primeira mulher como ele próprio foi operado a um cancro no pulmão. O estado de saúde impediu-o de regressar à vida pública até 98, quando foi reeleito mais uma vez. Apoiou a adesão do país à NATO, em 99.

Apesar da saúde continuar frágil, completou o último mandato, já com a segunda mulher, a conhecida atriz Dagmar Veskernova.

Em 2003, o ex-primeiro ministro Vaclav Klaus sucede-lhe na presidência checa.

Meses depois, por referendo, os checos escolheram a adesão à União Europeia, em maio de 2004.

Em 2008, Havel protagonizou as celebrações do 40° aniversário da primavera de Praga. E nem os problemas cardíacos o impediram de se apresentar como defensor da liberdade: “As nossas ideias obrigam-nos a ser solidários com os dissidentes dos países onde as pessoas vivem sob um poder mais ou menos autoritário”.

Encerra-se um capítulo do pequeno país…Vaclav Havel, foi o bardo, o poeta que arrancou o poder aos comunistas para o devolver ao povo numa Revolução de Veludo.