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O papel "marginal" da Polónia para enfrentar a crise do euro

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O papel "marginal" da Polónia para enfrentar a crise do euro

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Foi no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que o primeiro-ministro da Polónia se juntou às vozes que defendem mais comunitarismo na Uniao. Donald Tusk mostrou-se contra diretórios que centralizam decisões que afetam todos os 27.
  
“A liderança não pode ser feita apenas por um ou dois países, mesmo que sejam os mais fortes. Tem que ser uma liderança com base nas instituições europeias. Se não pudermos levar a cabo essa tarefa, então as futuras gerações vão amaldiçoar a crise e amaldiçoar-nos também”, disse o primeiro-ministro.
 
O eixo franco-alemao é o visado neste discurso de Tusk do fim da presidência polaca. Fora da zona euro, a Polónia teve um papel marginal face a este eixo nas medidas decididas no segundo semestre de 2011 para enfrentar a crise da dívida soberana.
 
“Não participaram nas cimeiras do euro de julho ou de outubro. E tiveram um papel apenas instrumental na implementação das decisões das cimeiras: a adoção do chamado six-pack é a coroação desse processo. Esse pacote de medidas foi uma decisão muito importante e um trabalho fundamental. Mas não se sentaram à mesa quando essas decisões foram tomadas”, explica o analista do Centro de Estudos de Política Europeia, Piotre Kaczyński.
 
Mas num momento de estagnação económica, o visível crescimento da Polónia – um dos gigantes do leste europeu- poderá vir a conceder-lhe mais protagonismo no futuro, como refere o eurodeputado liberal alemão Alexander Graf Lambsdorff.
 
“É o único país da UE que não sofreu qualquer revés durante esta crise da dívida, durante a crise do euro, mas que teve uma economia continuamente em crescimento”, disse à Euronews.

Polónia procura protagonismo europeu apoiando a Alemanha
 
A Polónia quer continuar a cultivar o protagonismo no coração da União Europeia que obteve durante a presidência do conselho, no último semestre de 2011. O atual governo de Varsóvia, liderado por Donald Tusk, não tem dúvida de que tal passa por aumentar o apoio à Alemanha, considerada no passado um vizinho perigoso. 
  
“As relações entre a Polónia e a Alemanha são tradicionalmente bastante tensas, e foram-no particularmente durante o governo dos irmãos Kaczynski. Mas com o chegada de Donald Tusk a primeiro-ministro da Polónia e com um novo governo alemão, houve uma clara distensão. Mais do que distenção, houve uma participação conjunta construtiva ao nível dos projetos europeus e tem havido um excelente relacionamento de há muito tempo a esta parte”, afirmou à Euronews o eurodeputado liberal alemão Alexander Graf Lambsdorff.
 
Agora na oposição, Jaroslaw Kaczynski lidera o partido conservador e eurocético, que organizou protestos contra a transferência de mais soberania para Bruxelas e que dá má nota à presidencia polaca.
  
“Não avançou nada, tal como antecipámos. Não houve avanços em nada, de modo a dizer que houve uma marca da presidência polaca”, disse o eruodeputado conservador polaco Ryszard Antoni Legutko.
 
Mas Varsóvia está decidida a apoiar Berlim na integração europeia, como revela a muito comentada frase do chefe da diplomacia polaca, Radoslaw Sikorski: “A maior ameaça à segurança e à prosperidade da Polónia atualmente seria o colapso da zona euro. E exijo que a Alemanha, para seu prõprio bem e para o nosso, a ajude a sobreviver e a prosperar”.
 
Maior economia dos países de leste saídos da esfera comunista, a Polónia quer aderir quanto antes ao euro e aproveitou a presidência paraganhar também mais visibilidade política, segundo a correspondente polaca Dominika Cosic: “Seis meses da nossa presidência foram uma boa oportunidade para explicar aos cidadãos polacos o que significa a União Europeia, o que é, como funciona e qual é o papel polaco no interior da Uniao”.
 
Parceria de Leste longe do sucesso na aproximação a Bruxelas
 
Arménia, Azerbaijão, Bielorrúsia, Geórgia, Moldávia e Ucrânia sao os países da ex-esfera soviética que integram a Parceria de Leste. Um bloco com o qual Bruxelas quis fortalecer laços, mas nem sempre com sucesso.
 
“Durante seis meses, concluiu-se o acordo de comércio e o acordo de associação com a Ucrânia. Não houve mudanças positiva na Bielorrússia, verificou-se uma abertura do Parlamento Europeu sobre o caso da Geórgia e uma evolução positiva na relação com a Moldávia”, resumiu à Euronews o eruodeputado polaco Jacek Saryusz-Wolski, membro da Euronest.
 
O processo judicial que levou à condenação da ex-primeira-ministra da Ucrania, Yulia Timoshenko foi muito criticado pela União Europeia. Mas o regime de Kiev continua a resistir às criticas de perseguição política.
 
‘‘O processo de democratização na Ucrânia deu um passo atrás sob a presidência de Yanukovych. E outros indicadores são bastante desfavoráveis. Por exemplo, o índice sobre corrupção internacional mostra que a situação na Ucrânia piorou”, disse o analista do Centro Europeu de Estudos Políticos, Michael Emerson.
 
Na Bielorrúsia, a pressão diplomática europeia também não deu muitos frutos. Opositores políticos de Lukashenko e jornalistas continuam a ser dos principais alvos do regime, apesar da condenaçã dessas práticas pela presdidência polaca da UE.
 
“Ao longo de todos este ano foi usado todo o arsenal de métodos possíveis contra os jornalistas independentes. Infelizmente, os jornalistas bielorrussos independentes sabem bem o que é ser detido, ou mesmo ficar ficar preso, por causa da sua atividade profissional”, disse a jornalista bielorrussa Zhanna Litvina.