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Coreia do Norte: Status quo ou reformas? As principais questões sobre liderança de Kim Jong-Un

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Coreia do Norte: Status quo ou reformas? As principais questões sobre liderança de Kim Jong-Un

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Não se sabe ao certo quantos anos tem, nem o que pôde aprender em apenas três anos – o seu pai teve 20 para se preparar. Em suma sabe-se muito pouco ou quase nada sobre Kim Jong-Un, com exceção para o facto de que pertence a uma nova geração e estudou num país ocidental.

Mas será que é suficiente para mudar a Coreia do Norte? A resposta é não.

Kim Jong-Un vai ter que conquistar o respeito e a consideração das elites política e militar e a hipótese mais provável é a de que pouco ou nada vai mudar.

“As forças armadas norte-coreanas prometeram lealdade a Kim Jong-Un, o que significa que é pouco provável que haja um golpe de Estado, mas vão utilizar todo o seu peso junto do jovem Kim. A liderança norte-coreana pós-Kim Jong-Il vai ser feita de forma coletiva em vez de uma ditadura dirigida por apenas um homem. Por isso Kim Jong-Un vai ter que partilhar o poder com o seu tio, o cunhado de Kim Jong-Il, e com os militares”, defende Benjamin Kang Lim, correspondente especial da Reuters na China.

Kim Jong-Un vai então ter que partilhar o poder com o seu tio Jang Song Taek, em tempos considerado favorito à sucessão do defunto líder, sobretudo quando em 2009 foi nomeado membro da poderosa comissão de defesa nacional.

Song Taek deverá ter um papel de mentor, mas o que vai ter liberdade para fazer ou decidir é ainda uma incógnita. Assim como o surgimento de lutas de poder entre as instâncias dirigentes.

Esta hipótese faz tremer a comunidade internacional já que qualquer elemento destabilizador num país com armas nucleares é potencialmente perigoso.

Tendo em conta a falta de experiência do novo líder muitos temem que ele se sinta tentado a afirmar a sua autoridade através do uso da força. O que parece pouco provável para Benjamin Kang Lim.

“O ensaio do míssil na segunda-feira foi um aviso lançado ao ocidente para não interferir com a situação na Coreia do Norte durante o período de luto, mas acredito que não vão proceder a mais nenhum ensaio nuclear a não ser que sejam provocados.”

O poder militar sempre serviu os interesses do regime, já que desvia as atenções das grandes dificuldades económicas em que o país vive. Um desafio de peso para o novo líder, se ele decidir debruçar-se sobre a questão.

Fome, falta de fornecimento por parte das indústrias, agricultura rudimentar. Estima-se em seis milhões o número de norte-coreanos que necessitam urgentemente de ajuda.

Face a estes desafios será que o jovem líder vai seguir o exemplo da China, único grande parceiro comercial e que exige reformas? Os sul-coreanos esperam uma “Primavera Coreana”, mas a curto prazo essa solução parece pouco provável.