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Ventos de mudança em Cuba com adoção de novas reformas

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Ventos de mudança em Cuba com adoção de novas reformas

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Sair do país por um período compreendido entre os 11 meses e os dois anos e poder regressar a casa. Há 50 anos que os cubanos sonhavam com esta possibilidade. Viver no estrangeiro, visitar as famílias ou apenas viajar. Um direito que vão passar a ter.

A lei em vigor desde os anos 60 impõe a obtenção de uma licença para sair do país, entregue no espaço de 30 dias e renovável 10 vezes, mas que pode ser rejeitada sem qualquer explicação. Se o titular não regressar a Cuba durante o período previsto no documento, perde o direito de voltar para casa.

É esta restrição que está na origem do número de cobanos a viver no exílio, na grande maioria nos Estados Unidos. Um sonho de exílio que matou muitos cubanos que tentavam chegar à Florida em embarcações rudimentares, para não dizer outra coisa.

A reforma migratória é para os cubanos uma verdadeira revolução.

“Para reunir as famílias cubanas com os que vivem fora do país. Acho que seria uma boa mudança. Para os cubanos que ficaram cá, que têm família, filhos e pais nos Estados Unidos seria bom”, defende um cubano nas ruas de La Havana.

Uma cubana diz que “é bom. Devíamos mudar este sistema para que os cubanos possam ir onde quiserem.”

Outro cubano defende que “a sociedade cubana sempre foi livre de manter ou abolir essas possibilidades. A Assembleia Nacional está a exercer essa liberdade de poder para mudar as regras.”

Há vários meses que as regras estão a mudar em Cuba. A ideologia que sempre regeu a vida na ilha dá cada vez mais lugar ao pragmatismo económico. Recentemente, foram adotadas duas reformas: o direito de vender os seus bens e o de pedir dinheiro emprestado ao banco.

“É muito importante e permite-nos comprar coisas que não podemos comprar com dinheiro” diz uma mulher.

Um proprietário de um estabelecimento comercial diz que “é bom para tudo. Os que estão a começar, começam do zero. Com esta medida têm dinheiro e fica pago.”

Apesar de ainda ser muito fechada, a nova direção não esconde a intenção de melhorar as relações com o estrangeiro, nomeadamente com os Estados Unidos. São reformas que poderão abrir o caminho para o levantamento das sanções.

Reputada pela qualidade do seu sistema de educação, esta abertura implica riscos para Cuba, nomeadamente a fuga de cérebros.