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China: sobreviver à margem da lei

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China: sobreviver à margem da lei

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O conceito de família feliz, na China, resume-se ao pai, mãe e uma filha ou filho, como manda a tradição, para perpetuar o apelido de família.

Escolher ter mais que uma criança é uma decisão com consequências num país onde se tenta controlar o crescimento demográfico.

Wu Weiping engravidou pela segunda vez, sugeriram-lhe o aborto mas não o fez. Divorciou-se do marido. Perdeu o emprego. Exigiram-lhe mais de 14 mil euros de multa. Não pagou, fugiu para Xangai e escondeu-se num apartamento onde teve o bebé.

“Na maior parte do tempo preocupava-me não puder dar à luz o meu filho em segurança. Conheci muitos casos de mulheres que tentaram ter duas crianças e foram forçadas a abortar. Estava mesmo preocupada porque podia ser a próxima vítima do sistema”, conta Wu Weiping.

Li Yongan, professor universitário, tinha uma filha de 13 anos quando a mulher voltou a engravidar. Tiveram a criança. Ele perdeu o emprego, hoje dá aulas de xadrês. A filha mais velha estuda numa universidade privada, para o mais novo, a escola pública não foi opção. O custo de vida é incomportável mas assume a escolha que fez.

“Não me arrependo mas há anos que vivo com uma depressão e raiva. Sofri uma enorme tortura mental e passei por muitas lutas porque tive duas crianças. Isto não faz sentido nenhum”, explica Li Yongan.

A China é o país mais populoso do mundo, representa 20% da população mundial. Segundo números oficiais, foram realizados mais de 260 milhões de abortos em três décadas.