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Sanções contra o Irão: jogo ou realidade?

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Sanções contra o Irão: jogo ou realidade?

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Um dia depois da Europa anunciar sanções contra o petróleo iraniano, Washington congratula-se e Teerão minimiza.

Ontem, os 27 chegaram a um acordo de princípio para proibir as importações de petróleo bruto iraniano se Teerão insistir em continuar o programa nuclear.

Um acordo que será difícil de aplicar e foi obtido com grande dificuldade, devido à oposição férrea de alguns estados membros.

A Grécia, que foi o país mais reticente a concordar com o texto aprovado, manifestou, ao mesmo tempo alguma preocupação.

Stavros Dimas, Ministro grego dos Negócios Estrangeiros:

“- Discutimos o problema e as dificuldades criadas pela situação no Irão e a nossa opinião é que tudo isto deve ser estudado atentamente e com cordenação”.

O petróleo representa 60 % das reservas orçamentais do Irão.

O que chega à Europa não é de todo negligenciável: 18%.

A Itália depende em mais de 40% do petróleo iraniano, a Grécia 50% e a Espanha e Bélgica também são grandes importadores.

Privar-se do petróleo iraniano implica procurar outras fontes, na Líbia ou na Arábia Saudita, por exemplo. Os preços podem subir e o Irão avisa mesmo que vai passar para 200 dólares o barril.

Teerão defende que uma economia mundial doente, não pode suportar uma tal subida, e que os que mais têm a perder não são os iranianos.

Ramin Mehmanparast, ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros:

“- De qualquer modo, os primeiros países a ser afetados por um embargo do petróleo ao Irão seriam países ocidentais.”

O segundo país da OPEP que, nas últimas décadas, mais diversificou a clientela, assegura que a alternativa evidente é voltar-se para os países asiáticos.

Extremadamente dependentes do petróleo iraniano, é muito provável que decidam unir-se ao embargo…

O especialista Jonathan Barratt afirma que “vai ser uma forma de diplomacia interessante, porque economias como as da Índia, China e Japão, provavelmente vão ter descontos nos preços das importações de petróleo iraniano, pois o regime de Teerão tem de vender io petróleo e, por outro lado, os Estados Unidos e outras nações vão pressioná-los, certamente, para se abastecerem energeticament noutros mercados”.

As autoridades iranianas afirmam que as sanções não vão ter efeito real mas, entretanto, deram mostras de um certo nervosismo e ameaçaram fechar o estreito de Ormuz, um canal estratégico para o tráfico marítimo por onde transita 40% do petróleo mundial.