Última hora

Última hora

"Europe Weekly": O aniversário "triste" do euro

Em leitura:

"Europe Weekly": O aniversário "triste" do euro

Tamanho do texto Aa Aa

O ano 2012 assinala o décimo aniversário da circulação do euro, mas não parece haver muitos motivos para celebrar. A Grécia admite a saída da zona euro, mas a nova presidência dinamarquesa da União Europeia promete tudo fazer para enfrentar a crise.

Estes e outros temas estão em destaque no “Europe Weekly”, esta semana apresentado por Isabel Marques da Silva que entrevistou Fabian Zuleeg, economista-chefe no Centro para a Política Europeia, sobre a crise do euro dez anos depois da moeda única ter entrado no quotidiano dos europeus, a 1 de Janeiro de 2002.

Isabel Marques da Silva/euronews (IMS/euronews): “As medidas decididas nas últimas cimeiras serão suficientes para salvar o euro ou a própria UE terá de ser redesenhada? Quais as lacunas que têm de ser preenchidas?”

Fabian Zuleeg/Centro para a Política Europeia (FZ/CPE): “Quando a união económica e monetária foi criada não tínhamos os mecanismos de governação para resolver o tipo de crise a que assistimos atualmente, pelo que terá de ser feito muito trabalho em 2012 para criar estes mecanismos.”

IMS/euronews: “Mas pensa que há 10 anos, quando os políticos criaram o euro e a sua arquitetura, já sabiam que este tipo de problemas poderia vir a ocorrer?”

FZ/CPE: “Penso que ninguém poderia antecipar a extensão da crise que agora enfrentamos, mas obviamente que houve vozes de alerta na época que disseram que uma união monetária sem uma verdadeira união económica criaria problemas. Temos que criar mecanismos de governanção, temos que ter o mecanismo de estabilização para ajudar os países que têm problemas e, claro, as regras do BCE já mudaram e vão continuar a mudar.”

IMS/euronews:“Pensa que este novo tratado, a elaborar nos próximos três meses, levará de facto a uma verdadeira integração fiscal ou é um passo antidemocrático das economias maiores e mais fortes para vigiar as mais fracas, a chamada Europa a duas velocidades?”

FZ/CPE: “Julgo que é um passo necessário, mas por si só não vai resolver a crise. Faltam vários elementos e há demasiada ênfase nas regras, na tentativa de fazer cumprir as regras nos países mais fracos sem qualquer consideração sobre se eles são realmente capazes de as cumprir.”

IMS/euronews: “O senhor defende um plano de recuperação para o euro, no sentido de realmente apostar em medidas de investimento que levem ao crescimento económico nas economias mais fracas. Pode explicar em mais detalhe essa teoria?”

FZ/CPE: “Penso que está muito claro que a aposta pura na austeridade, no corte das despesas, não resolve o problema. Os países que a praticam entraram numa espiral descendente. Têm menos receitas fiscais, o que significa que têm menos capacidade de despesa e de crescimento. O que propomos é um plano de recuperação do euro através do investimento nos países mais fracos. Esses países terão que fazer muito trabalho por si mesmos, mudar regras, liberalizar alguns dos setores económicos, mas alguns dos investimentos também terão que vir dos países mais fortes.”

IMS/euronews: “A antecipação do mecanismo de estabilização europeia para 2012 será suficiente para, pelo menos, inverter a tendência da crise ou vamos precisar de outras medidas como as euro-obrigações?”

FZ/CPE: “Na melhor das hipóteses o que essas medidas podem fazer é ajudar-nos a funcionar durante alguns meses, talvez durante um ano, mas não é a solução a longo prazo. A longo prazo teremos de criar uma união económica e monetária plena e, do meu ponto de vista, as euro-obrigações fazem parte desse projeto.”