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PIP: reconstrução destrutiva

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PIP: reconstrução destrutiva

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Nunca deviam ter utilizado gel industrial, com produtos químicos, para implantar no corpo humano. Mas fizeram-no, sem passar por provas clínicas.

Segundo as últimas informações, os implantes contêm um aditivo para combustíveis, que também se emprega na construção de materiais para navios, em componentes eletrónicos e duas substâncias utilizadas na indústria da borracha.

Entre 400 mil a 500 mil mulheres, no mundo, têm estas próteses (não se sabe quantos homens têm testículos implantados deste silicone) e começam uma dura batalha para saber quem paga a remoção antes da rutura.

Uma paciente dinamarquesa, queixa-se:

“- É terrível saber que tenho uma substância tóxica dentro de mim”.

Uma inglesa também:

“- Sofro de dores e sensação de queimadura, é muito desconfortavel”.

Uma cidadã espanhola anda “de Hirodes para Pilatos”:

“- No momento em que soube, começou o meu calvário. Idas e vindas aos hospitais, mas mandam-me consultar um médico privado”.

As autoridades sanitárias reagem de modo diferente: o Reino Unido não se quer comprometer e afirma que não ha necessidade de retirar as próteses; a França não só aconselha como assume as despesas.

Alguns países começarem por convocar as pacientes para um diagnóstico exato dos implantes mamários, por causa de cancro, na maioria dos casos. Mas há dois fatores em causa: o primeiro é o estudo da verdadeira necessidade de retirar ou não os implantes de silicone industrial; e o outro é quem paga a extração e os novos implantes.

Na Alemanha, em Espanha e na República Checa, as autoridades sanitárias recomendam uma visita ao médico ou ao cirurgião que operou, para decidir caso por caso, mas não se responsabilizam ainda pelas despesas.

Em Portugal, a Unidade de Queimados e Cirurgia Plástica dos HUC recomendou a avaliação de todos os casos com PIP – Poly Implant Prothese.

A França, a Venezuela e a Colômbia comprometeram-se claramente a assumir o custo da retirada dos implantes.

Substituir as próteses colocadas por razões estéticas deverá ficar a cargo dos pacientes; no caso das próteses terem sido feitas na sequência de doença cancerosa, começa agora a batalha dos pacientes com os respetivos sistemas de saúde.

Ainda não se estabeleceu uma relação de causa e efeito entre este material e a reincidência dos casos .

Sabe-se apenas que o perigo de rutura é muito maior e o material muito mais tóxico do que o de próteses