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O Ano Novo pela Orquestra Filarmónica de Viena

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O Ano Novo pela Orquestra Filarmónica de Viena

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Como manda a tradição a Orquestra Filarmónica de Viena entrou em 2012 com o Concerto de Ano Novo.

Apesar de ser um evento renomado muita gente não sabe que a experiência, o “know-how”, desta orquestra passa de geração em geração, dentro da mesma família. A sabedoria passa dos mais velhos para os mais novos como acontecia há séculos atrás.

É o caso do clã Tomböck. Pai, filho e neto embarcaram no mesmo sonho.

“Lembro-me de, em criança, estar a brincar com o meu irmão e ouvir a minha mãe a tocar Chopin ou Schubert ao piano. Ela perguntava sempre: «Está alto demais para vocês?» Nós estávamos a brincar com carros e dizíamos: «não, não, está bom!»”, explica Wolfgang, o da segunda geração.

Wolfgang sénior entrou para a Orquestra depois da guerra, tocou trombeta quase toda a vida, frente a maestros de renome. Hoje está reformado mas o seu neto é já primeiro violino na Filarmónica.

“Durante muitos anos o meu neto vinha a minha casa e eu acompanhava-o ao piano. Ele tocava sonatas e concertos, vinha 4 a 5 vezes por semana. Hoje, o resultado é altamente satisfatório”, adianta Wolfgang Sénior.

Ser a terceira geração de músicos na orquestra é uma honra ou uma responsabilidade?

Johannes Wolfgang desabafa: “nunca senti pressão por parte do meu pai para entrar na orquestra, mas sentia dentro de mim outra pressão muito grande porque toda a minha família está na Filarmónica de Viena! Então pensei: «Se eu quero ser músico a única forma de fazê-lo é entrar nesta orquestra!»”

Ernst Ottensamer é primeiro clarinete na Orquestra de Viena e os filhos seguiram-lhe as pisadas: Andreas e Daniel cresceram rodeados pela música.

Ernst Ottensamer esclarece: “tentámos que sentissem amor pela música mas sem forçá-los e eles aceitaram facilmente. Talvez seja mérito nosso, não se pode ser um bom músico pela força e stress, isso não vai abrir o coração e a música não vem do cérebro, vem do coração.”

O que é que um pai músico pode ensinar ao filho que é músico também.

“Por exemplo como reagir quando o condutor diz alguma coisa ou como um solista deve tocar na orquestra. Pratica-se sempre em casa mas é preciso trabalhar como um todo na orquestra e é preciso descobrir qual é o seu papel e quando sobressair ou ficar na retaguarda.

Ele está sempre lá quando preciso de conselhos, isso torna tudo mais simples, é mais fácil lidar com coisas novas, é uma colaboração muito boa!”, acrescenta Daniel Ottensamer.

Nesta reportagem ouvem-se segmentos das seguintes peças:

  • Johann Strauss, Danúbio Azul, Op. 314
  • Johann e Josef Strauss, Marcha Patriótica
  • Eduard Strauss, Carmen – Quadrilha