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"Evitámos o estrangulamento do crédito na zona euro", diz vice-presidente do BCE

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"Evitámos o estrangulamento do crédito na zona euro", diz vice-presidente do BCE

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Um tom sombrio marcou a primeira apreciação de 2012 feita pelo Banco Central Europeu (BCE) sobre a economia na zona euro. Esta continua a “enfrentar grande nível de incerteza e substanciais riscos de contração”, nas palavras do novo presidente, Mario Draghi, que assumiu o cargo em novembro passado.

O balanço feito por Draghi depois da primeira reunião da nova comissão executiva, a 12 de janeiro, mostra como o BCE continua preocupado com as perspectivas a curto prazo. Isto apesar de ter posto em prática mais medidas para aumentar a liquidez na zona euro.

Manteve a taxa de juro em 1%, mas esta poderá sofrer futuros cortes, de acordo com os analistas. E os mercados aguardam pela segunda oferta de empréstimos baratos, no final de Fevereiro, depois da primeira operação (21 de Dezembro) ter injetado quase 500 mil milhões de euros. O BCE facilitou ainda as regras sobre as garantias colaterais que exige aos bancos aos quais empresta.

“A maioria dos bancos estão a utilizar a liquidez obtida”

A correspondente da euronews em Bruxelas, Isabel Marques da Silva, entrevistou o vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, sobre a resposta do banco, mas também dos políticos, para sair da crise em 2012.

Isabel Marques da Silva/euronews (IMS/euronews): “O BCE decidiu este mês manter a taxa de juro em 1%. Mas tendo em conta a incerteza na zona euro e o risco de recessão, poderão ser feitos cortes mais tarde?”

Vítor Constâncio/vice-presidente BCE (VC/BCE): “Como sabe, nunca nos comprometemos sobre futuras decisões acerca das taxas de juro. Claro que reconhecemos que há muita incerteza, que há riscos de contração, pelo que temos dito que vamos analisar toda a informação relevante e decidir de acordo com ela.”

(IMS/euronews): “Há quase um mês, o BCE concedeu 500 mil milhões de euros em empréstimos para aumentar a liquidez dos bancos, mas em vez destes emprestarem dinheiro uns aos outros e às empresas, muito redepositaram uma grande parte no BCE. Foi um falhanço do ponto de vista de ajudar a economia real?”

(VC/BCE): “Não podemos de todo concluir isso. Em primeiro lugar, os bancos que obtiveram mais liquidez connosco, em Dezembro, não são os mesmos que fizeram esses grandes redepósitos. Isso significa que a maioria dos bancos que integraram a operação de empréstimos a três anos, em Dezembro, estão a usar a liquidez obtida.”

(IMS/euronews): “Haverá um segundo leilão em Fevereiro. Esta mais otimista?”

(VC/BCE): “Ninguém sabe exatamente o que esperar. O que fizémos foi alargar o âmbito de garantias que os bancos podem usar, o que significa que mais bancos podem estar interessados e vamos ver como corre. O ponto é que esta operação foi muito bem sucedida. Ao fornecer esta liquidez aos bancos conseguimos pelo menos três coisas. Em primeiro lugar, fornecemos garantias de que os bancos terão liquidez para pagar todas as obrigações que vão vencer. E, também, baixaram as taxas de juro de todos os títulos que vão vencer a curto prazo no mercado financeiro, em resultado dessa injeção de liquidez. Assim, ao fornecer tudo isto, evitámos o risco de um estrangulamento do crédito na zona euro.”

(IMS/euronews): “Os defensores da chamada “grande bazuca” dizem que o atual fundo de resgate poderia ser combinado com o novo Mecanismo de Estabilização Financeira para alcançar um bilião de euros de capacidade. Mas a Alemanha está contra. Qual é a posição do BCE, considerando o grande risco de contágio existente na zona euro?”

(VC/BCE): “Recentemente, a senhora Merkel sugeriu que a Alemanha poderia vir a considerá-o em termos do futuro mecanismo permanente. Haverá mais negociações em Março sobre este mecanismo, por isso vamos esperar. Qualquer decisão que possa levar ao aumento da capacidade de proteção será bem recebida.”

“A “regra dourada” é absolutamente vital”

(IMS/euronews): “Antes da última cimeira da Uniao Europeia, o presidente do BCE pediu um pacto orçamental que permitisse fazer mais para ajudar os governos endividados. Agora que decorrem negociações ao nível de um novo tratado sobre esse tópico, pensa que tal poderá aumentar o raio de ação do BCE?”

(VC/BCE): “Não há uma ligação direta. O que dizemos é que o pacto orçamental é absolutamente necessário para fornecer uma âncora para o futuro, garantindo de forma muito mais eficaz que os países vão respeitar as suas responsabilidades em termos de política orçamental e económica”.

(IMS/euronews): “Há rumores de que será difícil ter um acordo sobre a chamada “regra dourada” (que inscreve valor do défice na Constituição). É algo vital?”

(VC/BCE): “Sim, absolutamente, é um ponto vital do novo tratado. É uma importante inovação no que respeita às regras existentes. Estou confiante que vai constar do texto final, que será aprovado, porque é absolutamente essencial.”