Última hora

Última hora

Sindicalista da Marinha avisa: "salva vidas atuais não são adequados"

Em leitura:

Sindicalista da Marinha avisa: "salva vidas atuais não são adequados"

Tamanho do texto Aa Aa

A falta de organização na evacuação dos passageiros do Concordia coloca questões de segurança e da preparação da tripulação dos cruzeiros.

Um tripulante exclama “Eh, eh, tranquili, mamma mia, madonna”…sem perceber que a situação justificava a pressa.

Registar o momento tornou-se um ato indispensável para delatar as condições de salvamento:

“- Faz fotos, é muito importante para determinar quem tem a culpa”, grita uma das náufragas a alguém do grupo.

Mas em plena noite e com o imenso navio a afundar-se a pique, a manobra de lançar os botes à água é extremamente complicada, como explica esta sobrevivente:

“- Alguns dos barcos moviam-se imenso, entrava muita água. O nosso foi, várias vezes, de encontro ao casco do navio porque ele estava a afundar-se e era impossível manter os botes completamente verticais”.

Muitos passageiros do Concordia, como o norte-americano Brian Aho, falam da falta de preparação da tripulação:

“A tripulação não estava bem preparada. Tentavam ajudar-nos, mas nem sequer sabiam como se utilizavam os botes salva vidas”

Dois terços da tripulação do Concordia era constituida por pessoal de hotelaria, animadores e outros serviços, bem mais numerosos que os marinheiros bem formados. Mas o director de Costa Cruzeiros justifica que o navio cumpria todas as normas de segurança:

“- Os nossos barcos são tão seguros hoje como eram na sexta-feira. O que aconteceu não tem nada a ver com a segurança marítima, nem com nossa gestão ou procedimentnos. Também não tem nada a ver com a formação das tripulações”. A legislação marítima internacional estabelece que deve haver um número suficiente de tripulantes para garantir a segurança, mas nos cruzeiros o normal é haver apenas 40 a 50 marinheiros profissionais.

Mas o problema, segundo Allan Graveson, sindicalista da Marinha, é a tecnologia estar obsoleta.

“- Usamos botes salva vidas, exatamente como há 100 anos.

É verdade que houve melhorias nos sistemas de lançamento à água desses salva vidas, agora cobertos, mas temos de ir mais longe.

Neste incidente vimos que não era possível lançar à água os botes de um dos lados do navio, não era possível desembarcá-los todos. Precisamos de estudar novos sistemas e novas saídas para os passageiros”.

A empresa de cruzeiros assegura que organiza um exercício de evacuação de duas em duas semanas para o pessoal de bordo, e que tudo estava em regra.

Mas o naufrágio do Concordia colocou sob vigilância a segurança de uma indústria que vendeu o sonho de 19 milhões de cruzeiros em 2010.